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USP de Ribeirão Preto implanta laboratório pioneiro no Brasil para tratamento de resíduos radioativos

Unidade da Faculdade de Ciências Farmacêuticas trata e recicla resíduos com radioisótopos, reduzindo o impacto ambiental, junto a instituições de todo o país
USP
Foto: Acervo CGRQ-Multi/FCFRP/USP

A Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP inaugurou um laboratório dedicado ao tratamento de resíduos radioativos, o primeiro do Brasil com espaço exclusivo para esse tipo de material. A nova unidade é voltada ao processamento seguro de misturas químicas utilizadas em pesquisas, diagnósticos médicos e atividades laboratoriais, que contêm solventes inflamáveis e radioisótopos.

O laboratório integra a Central de Gerenciamento de Resíduos Químicos da faculdade e permite a destilação e purificação desses materiais, garantindo destinação ambientalmente correta e reduzindo riscos à saúde humana e ao meio ambiente.

Que tipo de resíduo é tratado no novo laboratório da USP

Segundo o químico Danilo Vitorino, responsável técnico da central, os resíduos são formados por uma mistura de solventes, como o tolueno, e radioisótopos utilizados principalmente na área da saúde e em pesquisas científicas. No caso dos chamados líquidos de cintilação, estão presentes elementos como carbono-14 e trício.

Apesar de emitirem radiação de baixa energia, esses materiais podem causar danos celulares quando há exposição a altas concentrações. Por isso, o tratamento adequado é considerado essencial.

USP de Ribeirão Preto implanta laboratório pioneiro no Brasil para tratamento de resíduos radioativos
Foto: Acervo CGRQ-Multi/FCFRP/USP

Como esse rejeito radioativo é gerado?

Em termos simples, descreve Vitorino, o líquido de cintilação é uma mistura de um solvente orgânico (tolueno é o mais comum) e algumas substâncias fluorescentes (PPO – difeniloxazol, por exemplo), usada principalmente em uma técnica que serve para detectar e medir a radiação emitida em amostras radioativas, muito comum em laboratórios de pesquisa, especialmente em áreas como biologia, farmácia, química, medicina e meio ambiente.

Os radioisótopos de carbono-14 e trício são amplamente utilizados em pesquisas para marcar moléculas como DNA, fármacos, hormônios, entre outros. Após a análise, o líquido de cintilação torna-se contaminado com os elementos radioativos, resultando em um resíduo químico-radioativo, que deve ser gerenciado adequadamente.

Processo reduz volume e permite reaproveitamento de solventes

De acordo com o pesquisador, o diferencial do laboratório está no processo de separação do solvente da parte radioativa. O tolueno pode ser recuperado e reutilizado, enquanto o volume total do resíduo é reduzido em mais de 90%.

A fração radioativa restante passa por um processo de solidificação e segue para armazenamento seguro em locais autorizados no país. Alguns desses materiais têm meia-vida longa, o que exige estocagem permanente e controle rigoroso.

Atendimento a universidades, hospitais e pequenos geradores

Além de atender os laboratórios da USP, a CGRQ-Multi da FCFRP também presta serviços à comunidade externa. Instituições de ensino e pesquisa, hospitais, clínicas e pequenos geradores podem encaminhar resíduos químicos para tratamento adequado.

Vitorino explica que o armazenamento e tratamento inadequados desses resíduos podem representar riscos ambientais e a saúde pública.

O recebimento e processamento dos resíduos radioativos, isto é, dos coquetéis de cintilação contendo os radionuclídeos, carbono (14C) e trício (3H), somente ocorrerão após a homologação dos procedimentos e licenciamento pertinentes de todos os órgãos reguladores.

USP de Ribeirão Preto implanta laboratório pioneiro no Brasil para tratamento de resíduos radioativos
Foto: Acervo CGRQ-Multi/FCFRP/USP

Descarte correto evita acidentes ambientais e radiológicos

O químico relembra que o descarte inadequado de materiais perigosos já causou tragédias no país, como o acidente radiológico com césio-137 em Goiânia, em 1987. Casos mais recentes de contaminação por metais tóxicos também reforçam a importância de estruturas especializadas para o gerenciamento desses resíduos.

Como solicitar o serviço da USP de Ribeirão Preto

Instituições interessadas podem acessar a página do serviço plataforma USP Multi e consultar a lista de serviços oferecidos pela Central de Gerenciamento de Resíduos Químicos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto.

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