Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Lis Canello
Pesquisadores do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) estão buscando voluntárias para um estudo sobre dores durante as relações sexuais. A pesquisa é liderada pela fisioterapeuta Eliana Aparecida da Silva Pandóki.
Prevalência da Dor Sexual Feminina
Nos Estados Unidos, estima-se que 6 milhões de mulheres sofram com essa disfunção, representando de 15% a 20% da população feminina. No Brasil, uma pesquisa com 3.148 mulheres revelou uma prevalência de 17,8% de dor durante o ato sexual.
Fatores Associados e Dificuldades no Tratamento
A dor sexual pode afetar mulheres de todas as idades com vida sexual ativa, geralmente entre 18 e 64 anos. Mulheres que estão iniciando a vida sexual podem notar dificuldades na penetração, frequentemente devido a disfunções na musculatura pélvica. A falta de orientação, tanto para pacientes quanto para profissionais da saúde, é um obstáculo. Muitas mulheres desconhecem que a dor sexual é uma disfunção tratável, e alguns médicos podem ter dificuldades em abordar questões de sexualidade ou desconhecer as opções de tratamento, incluindo a fisioterapia ginecológica, uma área relativamente nova no Brasil.
Como é Feito o Tratamento Fisioterapêutico
O tratamento fisioterapêutico começa com uma avaliação detalhada, em conjunto com um ginecologista, para descartar outras causas da dor, como candidíase ou infecções ginecológicas. Se a dor for de origem muscular, a fisioterapia atua com técnicas como a massagem perineal, que alonga as fibras musculares para promover o relaxamento, e exercícios de contração para que a mulher perceba e controle a musculatura. As voluntárias para o estudo passarão por avaliações ginecológicas e psicológicas para garantir uma abordagem completa. Mulheres com dispareunia (dor menos complexa) geralmente precisam de 4 a 6 sessões, enquanto mulheres com vaginismo (dificuldade ou impossibilidade de penetração) podem precisar de até 14 sessões semanais de 40 minutos.
Gestantes e mulheres com doenças neurológicas são excluídas do estudo, embora a fisioterapia pélvica seja benéfica para gestantes em outras abordagens.
A pesquisa busca oferecer uma solução para um problema que afeta a qualidade de vida de muitas mulheres.



