Uso de seringas compartilhadas nos clubes nas décadas de 70 e 80 está ligado a casos de hepatite C entre ex-atletas
Uma pesquisa realizada na cidade de Ribeirão Preto revelou um preocupante padrão de contaminação por hepatite C entre jogadores de futebol de décadas passadas. O estudo, inédito em sua escala, aponta para um novo grupo de risco para a doença e outras infecções transmitidas pelo sangue.
Injeções Estimulantes e o Compartilhamento de Seringas
Entre as décadas de 1970 e 1980, era comum o uso de injeções estimulantes para melhorar o desempenho esportivo. Ex-jogadores como Laércio Alves e Paulo César Camasut relatam a prática, descrevendo o compartilhamento de seringas como algo rotineiro. A falta de esterilização adequada e a busca incessante por melhores resultados em campo criaram um ambiente propício à transmissão de doenças.
A Descoberta e o Estudo
Os primeiros relatos de hepatite C em ex-jogadores surgiram em 1999 na Bahia e, posteriormente, em Mato Grosso. Em 2008, o pesquisador Afonso Diniz Costa Passos iniciou um estudo mais amplo, coletando evidências em ambulatórios especializados. A hipótese central é que o compartilhamento de seringas e agulhas não descartáveis foi o principal vetor de transmissão da doença, uma vez que a hepatite C era pouco conhecida na época e muitas vezes diagnosticada em estágios avançados.
Alerta e Tratamento
A pesquisa serve como um alerta para atletas e ex-atletas que se expuseram a injeções estimulantes entre as décadas de 1960 e 1980. O estudo envolveu entrevistas e exames em ex-jogadores profissionais e amadores, revelando números preocupantes: 32% dos profissionais e quase 37% dos amadores que relataram o uso de injeções apresentaram diagnóstico positivo para hepatite C. Felizmente, hoje existem tratamentos eficazes contra a doença, oferecendo esperança para aqueles afetados.



