Segundo os pesquisadores, outros fatores também causam a microcefalia
Um estudo conjunto da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, e da Universidade Federal do Maranhão revelou dados preocupantes sobre a incidência de microcefalia e prematuridade em bebês. A pesquisa, publicada em periódico americano de pediatria, analisou nascimentos ocorridos em 2010 em Ribeirão Preto e São Luís, buscando compreender os fatores que contribuem para o aumento dessas condições.
Análise da Microcefalia em 2010
A pesquisa avaliou 4.220 crianças em São Luís e 6.174 em Ribeirão Preto, constatando uma prevalência de microcefalia acima do esperado em ambas as cidades. Em Ribeirão Preto, a taxa foi de 2,5%, enquanto em São Luís chegou a 3,5%, superando as expectativas em 0,2% e 1,5%, respectivamente. É importante destacar que esses dados foram coletados cinco anos antes da epidemia de Zika de 2015, indicando que a microcefalia já era um problema endêmico nessas regiões.
Fatores Pre e Pós-natais
O estudo investigou diversos fatores pré-natais, como violência contra a mulher e saúde mental materna, buscando correlações com a prematuridade e o desenvolvimento infantil. Um acompanhamento longitudinal das crianças e suas mães, iniciado em 2010 e estendido até o segundo ano de vida das crianças, permitiu uma avaliação mais completa da situação. Um novo projeto de pesquisa dará continuidade ao estudo, acompanhando as crianças por volta dos 8 ou 9 anos de idade, analisando aspectos como sono, desenvolvimento, alimentação, prática de exercícios físicos, violência e dificuldades de visão e audição.
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Implicações para Políticas Públicas
Segundo o professor Marco Antonio Barbieri, da Faculdade de Medicina da USP, o estudo fornece subsídios importantes para a formulação de políticas públicas de saúde. Ao identificar fatores de risco e vulnerabilidades, a pesquisa contribui para a criação de intervenções mais eficazes, direcionadas à prevenção e ao tratamento de problemas como microcefalia e prematuridade. Os dados coletados ao longo dos anos, somados a pesquisas anteriores, permitirão a criação de propostas concretas para melhorar a saúde materna e infantil nas regiões estudadas e servirão como referência para outras pesquisas em todo o mundo.



