Banco irá melhorar a qualidade dos experimentos e diminuir o número de animais usados em experimentos
Um marco para a ciência brasileira foi a inauguração de um banco de embriões na Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, com o potencial de reduzir drasticamente o número de animais utilizados em pesquisas. A expectativa é que a nova instalação diminua em até 97% a necessidade de cobaias, representando um avanço significativo nas práticas científicas e no bem-estar animal.
Garantia de Pureza e Precisão nos Resultados
Elder Tambeline, chefe técnico do biotério, destaca a importância da pureza dos animais para a obtenção de resultados precisos nas pesquisas. Os embriões armazenados no banco são livres de agentes contaminantes, como fungos, bactérias, vírus e parasitas. Essa característica garante que os animais respondam de forma mais consistente aos experimentos, permitindo que os pesquisadores alcancem resultados confiáveis com um número significativamente menor de cobaias.
Avanço Ético e Científico
A preocupação com o uso de animais em pesquisas científicas tem crescido nos últimos anos, impulsionada por debates éticos e ações de ativistas. A criação do banco de embriões em Ribeirão Preto representa um avanço tanto ético quanto científico. As comissões de ética nas instituições de pesquisa estão cada vez mais rigorosas na avaliação dos protocolos experimentais, buscando reduzir ao mínimo o número de animais utilizados. A disponibilidade de embriões puros e livres de contaminantes facilita o cumprimento dessas exigências, permitindo que os pesquisadores obtenham resultados relevantes com menor impacto no bem-estar animal.
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Cópia de Segurança Genética e Economia de Recursos
O banco de embriões de Ribeirão Preto funciona como uma cópia de segurança do laboratório da USP em São Paulo, garantindo a preservação de linhagens importantes. Essa medida protege o material genético contra perdas acidentais e permite a troca de embriões entre os laboratórios. Além disso, a criopreservação dos embriões reduz os custos associados à manutenção de animais vivos, como ração, espaço e mão de obra. Os embriões podem ser utilizados em pesquisas futuras, mantendo as mesmas características de quando foram congelados.
Técnica Avançada de Criopreservação
Alina Osório de Oliveira, responsável pelo Laboratório de Criopreservação, explica que os embriões são obtidos por meio de fertilização in vitro e congelados em nitrogênio líquido a temperaturas de quase 200 graus negativos. Essa técnica avançada garante a preservação das células vivas por décadas, permitindo que os pesquisadores utilizem embriões com as mesmas características de quando foram congelados. Atualmente, o banco de embriões armazena cerca de dois mil embriões de 12 raças de camundongos, representando um valioso recurso para a pesquisa científica.
A iniciativa representa um passo importante rumo a práticas científicas mais éticas e eficientes, impulsionando o desenvolvimento de pesquisas de alta qualidade com menor impacto no bem-estar animal.



