Em pacientes que já tiveram a doença, vírus é mais agressivo ao organismo; só em 2016 são quase 35 mil casos em Ribeirão Preto
Ribeirão Preto enfrenta a maior epidemia de dengue de sua história, conforme o último boletim epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde, com quase 35 mil casos registrados em 2016. O número ultrapassa a epidemia de 2011, que detinha o recorde anterior com pouco mais de 23 mil casos. A situação é agravada pelo registro de sete mortes causadas pela doença neste ano.
A Emergência do Sorotipo 2
Um fator preocupante é o aumento da incidência do sorotipo 2 da dengue na região. O laboratório de infectologia da USP estima que pacientes com esse sorotipo já representem pelo menos 30% dos casos atuais em Ribeirão Preto. Essa cepa da dengue tem gerado apreensão entre especialistas.
Riscos da Infecção Secundária
Benedito Lopes da Fonseca, professor de infectologia da USP, explica que o sorotipo 2 pode ser mais perigoso, especialmente em pacientes que já contraíram outros tipos de dengue. Segundo ele, a preocupação reside na hipótese de que uma infecção secundária por um sorotipo diferente do que causou a infecção primária pode levar a um quadro mais grave da doença. Grande parte da população de Ribeirão Preto já foi infectada por um dos outros sorotipos (1, 3 ou 4), o que aumenta o risco de complicações com a chegada do tipo 2.
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Reincidência e Quadros Graves
Especialistas alertam que pacientes com reincidência de dengue têm um risco 15 a 20 vezes maior de desenvolver um quadro clínico mais grave. A combinação de uma população já exposta a outros sorotipos e a crescente presença do sorotipo 2 cria um cenário de alerta para a saúde pública em Ribeirão Preto.
Diante deste cenário, a atenção e os cuidados preventivos são cruciais para mitigar os impactos da epidemia.



