Expectativa é que, depois de aprovado, o composto derivado da maconha chegue ao mercado em dois anos
O Brasil está próximo de oficializar o uso medicinal do cannabis, substância extraída da maconha, após décadas de pesquisa. Estudos realizados desde a década de 1960 ganharam novo impulso recentemente.
Pesquisas avançadas
Pesquisadores do Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto estão na fase final de pesquisas para o uso do cannabis no tratamento da epilepsia. Testes mostraram a eficácia da substância no controle de convulsões. Um novo estudo foca na produção de cannabis sintética em laboratório, o que promete reduzir o custo do medicamento em até 50%, segundo o professor Antônio Valdos-ward. A fórmula sintética, além de mais barata, facilitará a fabricação do medicamento.
Expansão dos testes e novas aplicações
Além dos testes com pacientes epiléticos, o medicamento também será usado em um grupo de 180 crianças e adolescentes com a mesma condição. Paralelamente, serão realizados testes com pacientes que sofrem de Mal de Parkinson, buscando comprovar a capacidade do cannabidiol em proteger ou retardar a evolução da doença, conforme estudos em modelos animais e humanos. O professor Jaim Alaki, da Faculdade de Medicina da USP, destaca a expectativa de comprovar o efeito protetor do cannabidiol nas crises epiléticas, abrindo caminho para o registro do medicamento pela Anvisa.
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Disponibilidade e regulamentação
A Anvisa já reconhece e controla o uso do tratamento com cannabidiol extraído da planta para crianças e adolescentes com epilepsias refratárias desde 2015. A dentista Nádia Ferreira Oliveira Marinho relata resultados positivos no tratamento da filha de sete meses com microcefalia e crises epiléticas, utilizando o cannabidiol importado da Inglaterra em associação a outros medicamentos. A fórmula utilizada não contém THC, princípio ativo da maconha que causa efeitos psicoativos. A expectativa é que, após aprovação como medicamento, o composto sintético esteja disponível no mercado em menos de dois anos. A produção em larga escala no Brasil está prevista para começar em dois anos.


