Pesquisadores querem usar as células de defesa do próprio organismo para combater a doença
Pesquisadores do Hemocentro da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto oferecem nova esperança no combate à leucemia mieloide aguda. Em um avanço inédito, cientistas utilizarão linfócitos T, células de defesa do próprio organismo, para combater a doença.
Como funciona a terapia
As células T são retiradas do paciente, modificadas para reconhecerem as células leucêmicas e, posteriormente, reintroduzidas na corrente sanguínea. Programadas para atacar continuamente as células malignas, em alguns casos, apenas uma dose pode ser suficiente para combater a doença. De acordo com o pesquisador Renato Cunha, do Centro de Terapia Celular da USP de Ribeirão Preto, um novo receptor é inserido na célula T, revitalizando-a e permitindo que ela identifique e destrua o tumor de forma mais eficiente.
Resultados promissores e a história de Pedrinho
A pesquisa traz alívio para famílias que enfrentam o drama do câncer no sangue, como a de Coltina Araçantes. Seu filho, Pedrinho, faleceu aos 1 ano e meio após complicações de um transplante de medula óssea realizado na Alemanha. A nova terapia, ao direcionar o ataque às células doentes sem afetar outros órgãos, representa um avanço significativo. A chefe da unidade de transplantes do Hospital das Clínicas, Belinda Pinto Simões, explica que as células T modificadas atuam como “soldados de elite”, atacando apenas o alvo definido – neste caso, as células leucêmicas.
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Próximos passos e disponibilidade do tratamento
Tratamentos com linfócitos T para outros tipos de câncer já demonstram sucesso nos Estados Unidos, onde o Dr. Renato Cunha trabalhou por três anos. Com a fase de laboratório e testes em animais concluídos, a pesquisa em Ribeirão Preto entra na fase final de validação antes dos testes em humanos. A expectativa é iniciar os testes no Hemocentro de Ribeirão Preto em 2024, com a perspectiva de que o tratamento seja disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).



