Áreas como dermatologia e ginecologia são as mais afetadas
A falta de médicos em Monte Alto, interior de São Paulo, continua sendo um problema crítico. A situação se agravou após médicos contratados pela prefeitura por meio de uma cooperativa romperem o contrato com o Instituto de Estudos e Pesquisas Humaniza, empresa responsável pela contratação emergencial em setembro, por um valor de R$ 1,8 milhão para atender 15 especialidades. O caso também está sendo acompanhado pelo Ministério Público.
Salários e Condições de Trabalho
Os médicos terceirizados reclamam de baixos salários e más condições de trabalho, incluindo a falta de vínculo empregatício. Segundo o advogado André Gustavo Vedoveli da Silva, que representa os profissionais, a ausência de direitos trabalhistas dificulta a contratação de médicos. Além disso, os médicos criticam a demora na emissão de exames, falta de medicamentos e a precariedade da estrutura de atendimento.
Impacto na População
A falta de médicos afeta diretamente a população. Felícia Graça da Silva, 76 anos, precisa de atendimento endocrinológico devido a dores e suspeita de diabetes, mas enfrenta dificuldades para encontrar um especialista na cidade. Sua neta, Cristina da Silva Barbosa, relata a instabilidade da glicemia da avó e um recente episódio de mal-estar. A situação se repete com outras especialidades, como ginecologia, oftalmologia e dermatologia, com pacientes relatando longos tempos de espera por consultas. Patrícia do Nascimento Valverde, por exemplo, espera há três meses por uma consulta dermatológica devido a um caso grave de urticária.
Leia também
Desdobramentos e Soluções
A secretária de saúde de Monte Alto, Sueli Mello, reconheceu a falta de médicos em algumas especialidades, afirmando que a empresa responsável pela contratação já teria reposto alguns profissionais. A prefeitura alega que as relações de trabalho entre o instituto e os contratados não são de sua responsabilidade, mas afirma estar empenhada em resolver o problema. A empresa Humaniza, por sua vez, atribui as dificuldades de contratação ao baixo valor pago pelas consultas, mas garante estar seguindo a lei e buscando profissionais na região. A situação permanece delicada, com a população sofrendo com a falta de acesso a serviços médicos essenciais.



