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Vacas utilizadas em pesquisas são retiradas de Ribeirão Preto

Gado leiteiro da raça jersey, com mais de 150 cabeças, foi levado pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios
Vacas Ribeirão Preto
Gado leiteiro da raça jersey, com mais de 150 cabeças, foi levado pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios

Gado leiteiro da raça jersey, com mais de 150 cabeças, foi levado pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios

Após quase uma década de trabalho, as pesquisas com gado leiteiro da raça Gércia na fazenda experimental em Ribeirão Preto estão sendo desativadas. A decisão do governo do estado de São Paulo, que já remanejou mais de 100 cabeças do rebanho para Nova Odessa, é justificada por questões de insegurança, após o roubo de cerca de 40 vacas em 2015. No entanto, a mudança tem gerado controvérsia e incertezas sobre o futuro de projetos importantes.

Insegurança versus Continuidade da Pesquisa

Joaquim Azevedo Filho, presidente da Associação de Pesquisadores Científicos de São Paulo, questiona a justificativa do governo, argumentando que não faz sentido admitir a incapacidade de manter a segurança em uma propriedade rural. A fazenda experimental em Ribeirão Preto abriga o Polo Centro Leste da Apta (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios), onde projetos como o “Vaca Vitaminada” são desenvolvidos. Este projeto, em parceria com a USP Ribeirão e a Unesp Jaboticabal, produz leite biofortificado com selênio, óleo de girassol e vitamina E.

O Futuro do Projeto Vaca Vitaminada

Olando Mello de Castro, coordenador da agência paulista de tecnologia dos agronegócios, tenta minimizar o impacto da mudança, afirmando que o projeto Vaca Vitaminada continuará em Nova Odessa. Ele garante que as pesquisas sobre qualidade do leite, alimentação e produção de leites com diferenciais específicos serão mantidas, juntamente com o trabalho de seleção de rebanhos. O objetivo, segundo ele, é disponibilizar novilhas e tourinhos de qualidade para os produtores, especialmente os pequenos, agregando programas de manejo sanitário e nutricional para aumentar a produtividade.

Desafios e Incertezas em Nova Odessa

Roberto Botelho Ferras Branco, diretor do Polo Centro Leste da Apta na fazenda experimental, expressa incerteza sobre a continuidade do projeto. Ele menciona o alto custo do remanejamento do gado e o contingenciamento de despesas do governo, o que dificulta o deslocamento dos pesquisadores de Ribeirão Preto para Nova Odessa. Além disso, Márcia Vieira Sales e Luiz Carlos Roma, pesquisadores do projeto Vaca Vitaminada, destacam a infraestrutura já existente em Ribeirão Preto, incluindo laboratórios de processamento e análise de leite, parceria com a faculdade de medicina da USP e colaboração com produtores locais. A ausência dessa estrutura em Nova Odessa pode comprometer a qualidade e o alcance das pesquisas.

O remanejamento do rebanho Gércia para Nova Odessa levanta questões sobre o futuro das pesquisas e a capacidade de manter o nível de excelência alcançado em Ribeirão Preto.

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