Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Lis Canello
O início do ano foi marcado pela escassez de chuvas, mas, com a chegada de fevereiro e março, as precipitações trouxeram consigo um aumento alarmante nos casos de dengue. O estado já registra mais de 80 mil pessoas infectadas, e municípios como Bebedouro, Viradouro, Severínia, Santa Rita do Passa Quatro, Araraquara, São Carlos e Rio Claro enfrentam situações críticas.
Avanços na Pesquisa da Vacina contra a Dengue
Em paralelo à epidemia, a Faculdade de Medicina da USP, em colaboração com o Instituto Butantan, está conduzindo testes em humanos com o objetivo de prevenir a dengue. As vacinas foram administradas em um número limitado de voluntários na primeira fase, com resultados promissores, segundo os cientistas. O infectologista Esper Kallas, professor da Faculdade de Medicina da USP e coordenador da pesquisa, explica que a composição da vacina é baseada em uma versão atenuada do vírus da dengue, desenvolvida nos Estados Unidos. A vacina foi adaptada para proteger contra os quatro tipos de dengue existentes.
Desafios e Perspectivas da Imunização
O principal desafio é criar uma vacina que proteja contra os quatro sorotipos da dengue simultaneamente. Kallas ressalta que uma vacina que proteja contra apenas um ou dois sorotipos pode ser problemática, pois a segunda ou terceira infecção por dengue tende a ser mais grave. Os estudos ainda buscam determinar o tempo de imunização e as possíveis reações à vacina. Os resultados preliminares indicam boa tolerância à vacina, mas é necessário ampliar a pesquisa para confirmar sua segurança e eficácia.
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Próximos Passos e Medidas Complementares
O estudo está na segunda fase, com 300 voluntários em tratamento. A próxima etapa envolve a avaliação de um grupo maior, de aproximadamente 13 mil pessoas. Para isso, é necessária a autorização da Anvisa. Se os resultados forem eficazes, a vacina poderá ser disponibilizada à população já em 2016. Kallas também comentou sobre a recente decisão do município de interromper o uso de mosquitos geneticamente modificados, enfatizando que medidas pontuais não resolvem o problema da dengue e que são necessárias ações conjuntas. Ele defende que todas as medidas de prevenção devem ser complementares.
Diante da complexidade do controle da dengue, a combinação de diversas estratégias é fundamental para combater a epidemia. Na região, os casos continuam a aumentar, com Bebedouro enfrentando uma epidemia e outras cidades registrando números preocupantes.



