Ouça o primeiro bloco do programa que foi ao ar neste sábado (28)
Nesta entrevista, concedida à CBN Ribeirão Preto, o pediatra e professor da Faculdade de Medicina da USP Ribeirão, Ivã Savioli Ferras, e o médico sanitarista e chefe da Divisão Epidemiológica de Ribeirão Preto, Daniel Cardoso, discutiram a situação da imunização contra a influenza na cidade.
Números da Imunização e Circulação Viral
Segundo Dr. Cardoso, apesar da campanha de vacinação ter se prolongado, todos os postos de vacinação do município estão abastecidos. Embora a cobertura vacinal esteja em torno de 75%, abaixo da meta de 90%, houve uma circulação mais intensa do vírus da influenza em 2023, com aproximadamente 70 casos confirmados de H1N1 e 30 de H3N2, resultando em 10 mortes (5 por H1N1 e 5 por H3N2). Ele ressaltou que ambos os subtipos (A e B) são importantes em termos de saúde pública, podendo levar a casos graves em indivíduos com fatores de risco. A imprevisibilidade da influenza torna a vacinação antes do período sazonal crucial.
Importância da Vacinação e Cuidados Preventivos
Dr. Ferras enfatizou a importância da vacinação, destacando seu custo-benefício e o sucesso de programas nacionais de imunização no Brasil. Ele alertou para os riscos de epidemias em caso de baixa cobertura vacinal, citando o sarampo como exemplo. A eficácia das vacinas, embora não seja de 100%, é superior a 90% na maioria dos casos. A falta de contato com doenças infecciosas em gerações recentes de médicos e população contribui para a subestimação da importância da vacinação.
Vacinas Disponíveis e Futuras Perspectivas
Dr. Cardoso abordou a disponibilidade de vacinas na rede pública, mencionando a ausência de algumas, como a vacina contra meningite ACWY e a vacina contra rotavírus pentavalente, disponíveis apenas em clínicas particulares. A vacina contra dengue, apesar de controversa devido a possíveis efeitos adversos em indivíduos sem histórico da doença, também foi discutida. A busca por novas vacinas, como a contra HIV, e a possibilidade de interrupção da vacinação para doenças erradicadas, após um período de segurança, foram temas abordados. A erradicação da varíola e o controle da poliomielite foram citados como exemplos do sucesso da vacinação.
A entrevista conclui enfatizando a necessidade de conscientização da população sobre a importância da vacinação, ainda mais em grupos de risco como gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas, e a necessidade de esforços conjuntos do governo e da população para atingir a cobertura vacinal ideal. A imprevisibilidade da influenza e a possibilidade de reintrodução de doenças anteriormente controladas reforçam a importância da manutenção de altos índices de vacinação.



