Carnes como o pernil com osso e o lombo com osso ficaram 17% e 16% mais caros, respectivamente
Os preços nos supermercados estão assustando os consumidores. Uma pesquisa da APAS (Associação Paulista de Supermercados) revelou que muitos produtos estão mais caros que no ano passado, impactando diretamente o orçamento das famílias que se preparam para as festas de fim de ano.
Aumento expressivo de preços
A pesquisa da APAS apontou aumentos significativos em diversos itens. O limão, por exemplo, teve um aumento superior a 100%, enquanto o alho subiu 26,4%. O leite ficou 25% mais caro, e a berinjela também registrou alta. Diversos fatores contribuem para esse cenário, incluindo o custo de produção no campo, importações impactadas pelo alto valor do dólar (que bateu recorde de R$ 6,16 nesta terça-feira), e a maior demanda no período de festas.
Fatores que impulsionam a alta de preços
A economista Paula Velho analisou a situação, destacando um conjunto de fatores que contribuem para a alta de preços. A sazonalidade, com maior demanda em fim de ano, combinada com o baixo desemprego e aumento da renda disponível, pressiona a demanda. Do lado da oferta, problemas climáticos no Brasil e no exterior afetaram a produção de diversos itens, como o azeite e a carne. A exportação recorde de carne brasileira também contribuiu para o aumento dos preços internos. O aumento do dólar, que já havia subido 20% no ano, impacta os custos de insumos importados, como fertilizantes e itens para vacinação animal, encarecendo ainda mais os produtos finais.
Cenário econômico e perspectivas futuras
A insegurança fiscal e a volatilidade do mercado financeiro, influenciadas por indefinições políticas e o pacote de gastos, contribuem para a alta do dólar e a inflação. A economista ressalta que o mercado financeiro precifica as expectativas, e a insegurança fiscal é a principal causa da situação. Enquanto não houver sinais de mudança nesse cenário, a tendência é de dólar pressionado, inflação em alta e achatamento do poder de compra. Eventos como as queimadas também contribuem para a pressão inflacionária, com impactos que ainda serão sentidos a longo prazo. O aumento de preços em itens como café e suco de laranja, impactados por clima e pragas, demonstra a complexidade do problema. A alta nos preços, sem um aumento proporcional na renda, resulta em um achatamento do poder de compra da população.



