Produção regional poderia ser maior na Alta Mogiana, mas má distribuição de chuvas e altas temperaturas atrapalham resultados
As mudanças climáticas têm impactado a safra de café na região da Alta Mogiana, Variações climáticas podem afetar safra de café em 2024, uma das principais produtoras do estado, onde a colheita começou recentemente e deve se estender até setembro. Na Fazenda do Café e Cultor Augusto, a colheita já está em andamento, com máquinas e trabalhadores empenhados para evitar a perda dos frutos ainda nos pés.
O produtor José Alves destacou que este é um ano de safra grande no Brasil, um fenômeno que ocorre a cada dois anos. No entanto, ele não espera superar a maior safra registrada em 2020 devido a condições climáticas adversas, como calor fora de época e falta de chuva durante o período de enchimento dos grãos. “A safra vai ser grande, mas não tão grande quanto esperávamos”, afirmou.
Para mitigar os efeitos dessas condições, parte da propriedade adotou técnicas para adiantar a lavoura, aplicando produtos que aceleram a evolução dos grãos. Essa prática, comum na região, visa garantir a segurança da produção e aumentar a produtividade. Segundo o engenheiro agrônomo Lucas Ubiale, a automatização dos processos permite maior controle sobre os parâmetros que influenciam diretamente a qualidade final de cada lote.
Ubiale explicou que a produção regional poderia ser maior, mas foi prejudicada por fatores climáticos que afetaram a formação e o desenvolvimento dos frutos. “Tivemos uma distribuição de chuva muito desequilibrada na região. Houve chuva, mas mal distribuída”, disse. Além disso, as altas temperaturas registradas entre novembro e o início de março impactaram o enchimento dos grãos, reduzindo o tamanho dos frutos.
Essas variações climáticas não afetam apenas os produtores, mas também o consumidor final. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos últimos 12 meses, o preço do café torrado caiu 2,67%. No entanto, nos últimos três meses, houve um reajuste de 3%, refletindo a volatilidade do mercado.
O engenheiro agrônomo ressaltou que essa oscilação nos preços deve continuar nos próximos meses, pois o mercado global de café é influenciado por diversos fatores, incluindo a produção em outros países. “Muita coisa que acontece em outros países produtores, não só aqui no Brasil, tem de afetar esse preço mundialmente falando”, explicou. Ele acrescentou que o aumento ou diminuição do preço dependerá da oferta e da demanda global, e que a expectativa é que o consumidor final seja beneficiado com preços mais acessíveis.
Impactos climáticos na produção: A irregularidade na distribuição das chuvas e as altas temperaturas fora do período esperado comprometeram o desenvolvimento dos grãos, reduzindo a produtividade e a qualidade da safra na Alta Mogiana.
Técnicas para otimizar a colheita
Produtores têm adotado métodos para acelerar a maturação dos grãos, utilizando produtos específicos e automatização para garantir maior controle e segurança na produção.
Variação nos preços do café: Dados do IBGE indicam queda de 2,67% no preço do café torrado nos últimos 12 meses, seguida por um reajuste de 3% nos últimos três meses, refletindo a volatilidade do mercado.
Fatores globais influenciam o mercado: A produção e eventos climáticos em outros países produtores também impactam os preços do café no Brasil, tornando o mercado sujeito a variações constantes.
Entenda melhor
A safra de café no Brasil é cíclica, com anos de produção maior alternados com anos de produção menor. As condições climáticas, como temperatura e distribuição das chuvas, são determinantes para o desenvolvimento dos grãos e a qualidade da colheita. Além disso, o mercado global de café é influenciado por diversos fatores, incluindo a produção internacional, o que afeta diretamente os preços praticados no país.



