Eletrodomésticos, óticas, fotografia e produtos de papelaria puxaram a baixa, segundo Sincovarp
O comércio em Ribeirão Preto continua a sentir os impactos da crise financeira, com os dados de junho revelando mais uma queda nas vendas. Segundo Marcelo Bose Rodriguez, economista do Cincovárpio, sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto, a retração foi de 2,30%.
Queda Setorial
Embora o número seja menor que a queda de 3,98% registrada em maio, ainda causa preocupação. No mesmo período do ano anterior, a variação negativa foi de 0,77%. Os setores mais afetados foram os de eletrodomésticos, óticas e móveis. O setor de eletrodomésticos liderou as perdas, com uma queda de 8,34%.
De acordo com Bose, o setor de eletrodomésticos sofre com a crise por ter crescido muito quando a economia estava aquecida. Por se tratar de bens de maior valor, os consumidores evitam o consumo e o parcelamento nesse setor.
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Na sequência, o setor de ótica apresentou uma queda de 4,68%, seguido pelo setor de móveis, que também trabalha com bens de alto valor, com uma queda de 4%. Outros setores também registraram quedas.
Exceções e Preferências do Consumidor
Apenas os segmentos de calçados, tecidos e enxovais apresentaram alta nas vendas e não registraram um mês de junho no vermelho. No entanto, o cenário geral é desafiador devido à falta de dinheiro do consumidor e à desconfiança. Mesmo quem tem dinheiro prefere não gastar.
Quem vai às compras tem preferido o cartão de crédito devido à facilidade de parcelamento. De acordo com Marcelo Bosse, 51,85% das vendas no comércio são feitas com cartão de crédito, refletindo o comportamento do consumidor de evitar outras formas de pagamento.
36,15% das vendas foram à vista e apenas 12% na modalidade de cheque ou carnê.
Cenário Prolongado e Adaptações
O comércio varejista de Ribeirão Preto, um importante polo regional, não registra números positivos desde novembro de 2014. As empresas têm implementado adequações, demissões e aumento da flexibilidade nos tipos de pagamentos, mas sem grandes resultados.
De acordo com o Caged, foram fechadas 285 vagas no comércio em junho. Os lojistas estão buscando criatividade e negociação para manter as portas abertas.
O cenário econômico desafiador exige adaptação contínua por parte dos comerciantes para enfrentar as dificuldades e buscar alternativas para atrair e fidelizar os consumidores.



