Ofensas de Paraná Filho (PP) a Raquel Auxiliadora (PT) teriam acontecido nas últimas duas sessões da Câmara de São Carlos
Uma disputa marcada por ofensas e uma queixa-crime levou a polêmica até a Justiça Eleitoral na Câmara Municipal de São Carlos. A vereadora Raquel Auxiliadora (PT) denunciou o colega Paraná Filho (PP) por violência política de gênero após duas sessões em que, segundo a parlamentar, foram proferidos ataques misóginos e comparações humilhantes.
Denúncia e contexto
A queixa-crime foi protocolada na última quinta-feira junto à Justiça Eleitoral, que ainda não se manifestou nos autos. De acordo com Raquel Auxiliadora, as agressões verbais ocorreram durante as duas últimas sessões plenárias e ganharam repercussão nas redes sociais, o que motivou a representação judicial. A vereadora afirma que as falas do colega configuram violência política de gênero e tentativas de silenciar sua atuação parlamentar.
Trechos das sessões e relatos
As imagens das sessões, que são gravadas e transmitidas pela internet, mostram momentos em que o vereador se dirige à colega com expressões jocosas e comparações a animais. Em um dos trechos, ele diz que “Gostaria que você fosse homem hoje. Eu ia descer aqui. Não sei o que eu ia fazer exatamente com esse papel aqui” e, em outras intervenções, chamou a parlamentar de “cara de vaca”. Em um longo discurso, fez uma analogia em que compara as vereadoras presentes a animais no plenário, frase que provocou indignação entre servidores e eleitores.
Leia também
Posicionamentos e próximos passos
Raquel afirma também que o vereador tem divulgado mentiras sobre sua vida pessoal e chegou a associá-la, segundo ela, ao tráfico de drogas. A parlamentar lembra ainda denúncias que apresentou nos últimos anos — incluindo problemas na merenda escolar e condições de trabalho das merendeiras — e afirma que as falas do colega buscam deslegitimar seu trabalho.
Procurado, Paraná Filho negou ter proferido falas machistas ou misóginas e disse tratar-se de debates entre dois parlamentares, sem relação com gênero. O vereador afirmou que a estratégia da colega seria vitimizar-se para obter apoio e defendeu que homens e mulheres têm os mesmos direitos e prerrogativas no plenário.
O caso atrásra segue sob análise da Justiça Eleitoral. Como as sessões são registradas em vídeo e permanecem acessíveis, a expectativa entre interlocutores é de que as gravações sirvam como prova para avaliar as alegações apresentadas.



