A partir de 2016, quantidade de cadeiras subirá de nove para 11; medida revoltou a população
Uma sessão extraordinária de apenas cinco minutos na Câmara Municipal de Guariba, interior de São Paulo, deflagrou a indignação dos moradores. A aprovação do aumento no número de vereadores, de 9 para 11 a partir do próximo ano, gerou revolta e questionamentos sobre a transparência do processo.
Aprovação Relâmpago e Repercussão
Com seis votos a favor e três contrários, o projeto foi aprovado em tempo recorde. A rapidez com que a sessão ocorreu chamou a atenção de presentes como a assistente social Barbara Silva Santos e o sociólogo Douglas Santos. “Chegamos uns dois minutinhos antes e já estava iniciada a sessão. Não cantaram o hino, não fizeram nenhum tipo de abertura, né? Foi muito rápido”, relatou Barbara, evidenciando a forma atípica como a votação foi conduzida.
Impacto Financeiro e Críticas à Decisão
O aumento no número de vereadores implica em um acréscimo significativo nas despesas públicas. Cada novo parlamentar receberá R$ 4.500 mensais, além do direito a dois assessores com salários de R$ 2 mil cada. Isso eleva os gastos mensais em R$ 17 mil, totalizando R$ 221 mil anuais. Especialistas como o cientista político Gilberto Musto apontam que a medida pode ser uma estratégia para diluir o consciente eleitoral e favorecer a reeleição dos atuais vereadores. “É legal, mas totalmente imoral”, afirmou Musto, ressaltando a desproporcionalidade entre o número de vereadores e a população de Guariba, estimada em 38.500 habitantes.
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Reação da População e Indiferença Política
A aprovação da lei em meio ao cenário político e econômico atual gerou revolta na população. Musto alerta para o risco da “indiferença”, onde a normalização de ações questionáveis pode levar à descrença na política. A reportagem tentou contato com o presidente da Câmara, Marcos Oste, e com o vice-presidente, Jânio da São Carlos, mas não obteve resposta. A assessoria de imprensa da Câmara também não conseguiu contato com os demais vereadores.
O caso de Guariba ilustra a importância da vigilância e participação cidadã na política local, especialmente em relação a decisões que impactam diretamente os cofres públicos e a representatividade da população.



