Vereadores de Restinga discutem aumento de salários
A Câmara Municipal de Restinga, cidade com pouco mais de 6.400 habitantes, está no centro de uma polêmica devido à discussão sobre o aumento dos salários dos vereadores, do prefeito e do vice-prefeito. A proposta, que já foi aprovada duas vezes em votações preliminares, tem gerado indignação entre os moradores, que questionam a prioridade dada a esses reajustes em detrimento de áreas como saúde e educação.
Reajustes Propostos e Comparativos Regionais
Atualmente, os nove vereadores de Restinga recebem, em média, R$ 3.400. Com a aprovação definitiva do projeto, esse valor saltaria para R$ 7.300, representando um aumento de 114%. O presidente da Câmara, que hoje recebe R$ 4.400, passaria a ganhar R$ 8.300. A título de comparação, em São Joaquim da Barra, cidade quase sete vezes maior que Restinga, os vereadores recebem R$ 7.243. Já em Cristais Paulista, com população semelhante à de Restinga, o salário dos vereadores é de R$ 4.000.
Impacto nos Salários do Executivo
Os aumentos não se restringem ao Legislativo. O salário do prefeito, atualmente em R$ 9.480, poderia chegar a R$ 18.500, um aumento de 95%. Esse valor é superior ao salário líquido de prefeitos de capitais como Porto Alegre, Cuiabá, Fortaleza e Salvador. O salário do vice-prefeito também teria um aumento considerável, passando de R$ 4.680 para R$ 12.800. Os novos valores, caso aprovados, só entrariam em vigor em 2029, na próxima legislatura.
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Reações da População e Justificativas
A população de Restinga tem se manifestado contrária aos aumentos, questionando a priorização dos salários dos políticos em detrimento de investimentos em áreas essenciais como saúde e educação. Críticas também foram direcionadas à criação de oito novas secretarias municipais, que poderiam gerar mais cargos comissionados. Em nota, o presidente da Câmara justificou o reajuste, afirmando que ele só entrará em vigor em 2029 e que a Casa de Leis conseguiu mais de R$ 6,5 milhões em emendas parlamentares. O prefeito, por sua vez, alegou que o projeto de criação de secretarias e salários foi enviado devido à necessidade e que a votação do aumento é uma prerrogativa da Câmara.
Embora os reajustes sejam considerados legais, especialistas em administração pública os classificam como imorais, especialmente em um momento em que o país precisa de exemplos de redução de gastos públicos. A discussão levanta questionamentos sobre a prioridade dos políticos e a necessidade de uma reforma política mais transparente e estratégica com os gastos públicos.