Parlamentares acusaram uns aos outros de defenderem apenas seus redutos eleitorais; Bruno Silva comenta no ‘De Olho na Política’
Na sessão ordinária da Câmara realizada ontem, os projetos em pauta seguiram seu trâmite sem grandes debates públicos. O que chamou atenção, segundo participantes e observadores, foi uma discussão de bastidor entre vereadores sobre a divisão territorial de votos — a defesa de “redutos” eleitorais e os desentendimentos gerados por essa lógica.
Sessão e clima nos bastidores
Ao longo da reunião, não houve resistência significativa às propostas em votação. No entanto, os cochichos e as trocas acaloradas fora do microfone revelaram tensões sobre zoniamento eleitoral: parlamentares reclamavam uns com os outros por representar áreas específicas da cidade, enquanto alguns criticavam esse comportamento como limitador do debate público e do interesse coletivo.
A dupla face do mandato
Especialistas e vereadores ouvidos lembram que o mandato legislativo tem um caráter “duplo”: por um lado, há a relação direta com os eleitores e com as demandas de bairros e regiões; por outro, existe o trabalho dentro do parlamento, que exige negociação e articulação com colegas. O erro, segundo o relato, é reduzir a atuação à dimensão individual — trabalhar apenas para o próprio reduto pode ser curto-sighted, já que a geografia eleitoral muda e a reeleição depende, muitas vezes, de votos espalhados pela cidade.
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Caminhos e instrumentos do vereador
Indicações e requerimentos foram destacados como os principais instrumentos cotidianos dos vereadores para atender a eleitores e encaminhar demandas ao Executivo. Embora a população costume imaginar que o trabalho legislativo se resume a elaborar leis, grande parte da atividade parlamentar se concentra em intermediar solicitações e fiscalizar obras e serviços locais. Para especialistas, uma estratégia mais coletiva e voltada ao interesse público pode fortalecer a aceitação dos parlamentares além dos seus redutos tradicionais.
O episódio na Câmara reforça o contraste entre estratégias eleitorais individualistas e a necessidade de construção de pautas que alcancem a cidade como um todo — uma reflexão recorrente entre os atores políticos que acompanham o legislativo municipal.