Ambientalistas reforçam que não há relação do primata com a doença; há casos de mortes por agressão
Mais de 400 primatas, a maioria bugios, morreram nas últimas semanas com suspeita de febre amarela, ameaçando a sobrevivência da espécie. Além da doença, a falta de informação humana agrava a situação, com macacos sendo mortos por humanos mesmo sem transmitir a doença.
Mortes e Investigações
No Rio Grande do Sul, estado com último registro de febre amarela entre 2008 e 2009, macacos foram feridos após o surto no Sudeste. Um primata foi encontrado morto com marcas de tiros. Em Ribeirão Preto, 40 mortes de macacos estão sob investigação, incluindo dois animais encontrados na última quarta-feira. Cidades vizinhas como Jaboticabal e Monte Alto também registraram mortes.
Os Macacos como Sentinelas
Segundo o biólogo Sérgio Lucena Mendes, professor universitário e membro da rede de especialistas de conservação da natureza, matar macacos é um absurdo. Os primatas atuam como sentinelas, alertando sobre a presença do vírus da febre amarela na região, pois são os primeiros a sucumbir à doença. Sua morte indica a presença de mosquitos infectados. No último surto no Rio Grande do Sul, mais de 2 mil bugios morreram, vítimas da doença ou de ações humanas.
Ameaça à Biodiversidade e Ações Preventivas
Matar macacos é um crime ambiental e agrava a situação de espécies ameaçadas na Mata Atlântica. Além de serem indicadores da doença, os bugios desempenham papel ecológico vital como semeadores naturais, contribuindo para a regeneração florestal. Os dois macacos encontrados mortos em Ribeirão Preto foram enviados para análise no Instituto Adolfo Lutz. As autoridades orientam a população, principalmente a zona rural, a procurar a vacina contra a febre amarela. Em Ribeirão Preto, a prefeitura aplicou 93.400 doses desde o ano passado, atingindo 88% de cobertura vacinal.
A situação exige atenção imediata. A preservação dos macacos é crucial não apenas para a biodiversidade, mas também para a saúde pública, uma vez que sua presença indica a circulação do vírus da febre amarela, permitindo uma resposta mais rápida e eficaz.



