Ouça a coluna ‘CBN Saúde’, com Fernando Nobre
É comum a crença de que vitaminas possuem efeitos benéficos indiscriminados e até mesmo fantásticos. Desde a infância, ouvimos que alguém “fraco” ou “desanimado” precisa de vitaminas. No entanto, essa percepção geralmente está equivocada.
Vitaminas: Nem Sempre a Solução
As vitaminas não têm essas atribuições, exceto em casos de doenças com hipovitaminose (pouca vitamina) ou avitaminose (ausência de vitamina). O uso indiscriminado não é recomendado.
Em medicina, é crucial demonstrar os benefícios de uma conduta antes de incorporá-la à prática médica e prescrevê-la aos pacientes. Procedimentos que pareciam lógicos, quando testados em estudos bem conduzidos, não apresentaram os resultados esperados. Um exemplo é o da vitamina E.
O Caso da Vitamina E
A vitamina E reduz a formação de radicais livres, substâncias oxidantes que contribuem para doenças cardiovasculares. A lógica seria que a administração dessa vitamina reduziria a incidência dessas doenças. Por muitos anos, pessoas usaram a vitamina E como prevenção.
No entanto, um estudo comparou um grupo que usou vitamina E com um grupo que usou placebo (pílula sem efeito). Após anos, não houve menos doenças cardiovasculares no grupo medicado. Estudos similares não demonstraram benefícios com altas doses de vitamina C.
Medicina Baseada em Evidências
Esse tipo de estudo é essencial para demonstrar a ação benéfica de uma intervenção médica, o que chamamos de medicina baseada em evidências.
Ainda existe um grande apelo pelo uso de complexos vitamínicos. Recentemente, ficou demonstrado que não há benefícios na prevenção de doenças cardiovasculares com o uso de vitaminas de A a Z.
A Onda da Vitamina D
Atualmente, vivemos uma nova onda de reposição indiscriminada de vitamina D. Ainda não temos estudos definitivos sobre seus efeitos benéficos. Recomenda-se cautela, pois níveis elevados de vitamina D podem aumentar a probabilidade de câncer.
O uso de vitaminas, como de outros medicamentos, deve ser restrito a prescrições médicas, considerando cada caso e a necessidade real. Aqueles que usam vitaminas com critério e orientação médica estão no caminho certo.
Na medicina, como na vida, o “nem sempre” e o “nunca” são importantes a serem considerados.



