Essa construção tem como característica a ordem inversa dos elementos da oração; Lígia Boareto explica no ‘CBN Papo Certo’
Neste artigo, exploramos o iperbato, uma figura de linguagem que, apesar de seu nome complexo, é comumente utilizada no cotidiano e em diversas obras literárias. Veremos como essa inversão da ordem natural das palavras contribui para a beleza e o impacto estilístico de poemas e músicas.
O que é Iperbato?
O iperbato consiste na inversão da ordem direta da frase, ou seja, a alteração da sequência sujeito-verbo-complemento. Em vez de “As inscrições começam amanhã”, temos “Amanhã começam as inscrições”. Essa inversão, embora altere a ordem sintática, não compromete o sentido da frase, mas confere-lhe um tom mais poético ou enfático.
Iperbato em Poemas e Músculos
A utilização do iperbato é frequente em poemas e canções, como no famoso soneto de Vinícius de Moraes, “Soneto de Fidelidade”, e no Hino Nacional Brasileiro. A inversão da ordem das palavras contribui para a musicalidade e a construção de imagens poéticas, conferindo ritmo e expressividade ao texto. Essa técnica permite que o autor explore a sonoridade e a estrutura rítmica do poema, criando efeitos estéticos que enriquecem a experiência do leitor ou ouvinte. Outros exemplos podem ser encontrados na obra de Carlos Drummond de Andrade, como em “José” e “Aquele pequeno gesto”.
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Iperbato no Jornalismo e em Concursos
No jornalismo, o iperbato pode ser utilizado em manchetes para criar impacto e concisão, mas requer cuidado para evitar ambiguidades e erros de concordância. Em provas de vestibular e concursos, o conhecimento do iperbato é importante para a interpretação de textos literários e para a resolução de questões de gramática e literatura. A compreensão dessa figura de linguagem é fundamental para uma análise completa e precisa do texto, permitindo ao candidato identificar recursos estilísticos e suas funções no contexto da obra.
Em resumo, o iperbato é uma ferramenta estilística versátil que pode ser utilizada para criar efeitos poéticos e expressivos em diferentes contextos. Sua compreensão é essencial tanto para a apreciação de obras literárias quanto para a produção de textos claros e eficazes, evitando ambiguidades e erros gramaticais. A distinção entre iperbato, anástrofe e sínquise, embora sutil, é importante para uma análise mais aprofundada.