Adriana Silva trás os detalhes sobre a vida e as homenagens existentes na cidade para este artista, comemorando o Dia do Circo
Na próxima quarta-feira, dia 27, Ribeirão Preto se prepara para lembrar o Dia Nacional do Circo — uma data que coincide com o nascimento de Abelar do Pinto, mais conhecido como o palhaço Piollim. Apesar de ter nascido na cidade e seguido outros caminhos, Piollim deixou marca profunda na memória local e na produção artística que o celebra.
Piollim na praça: literatura e azulejos como memória
A relação entre Piollim e a cidade ganhou forma literária e visual graças ao trabalho da artista plástica e escritora Jair Iani, falecida em 2012. Autora de um livro que narra a história do palhaço em poemas e ilustrações, Jair Iani ocupou a cadeira da Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto (ALARPE) que, até 1997, foi também ligada a Piollim. Seu desejo de transformar a obra em espaço público culminou em uma instalação em frente ao Ribeirão Shoppe: uma praça que leva os nomes de Jair Iani e do palhaço.
Na praça há sete murais compostos por 14 painéis em azulejo, executados pelo arquiteto-artista Roberto Bergamo (também falecido). As peças, inspiradas nas páginas do livro de Jair Iani, são de grandes dimensões — mais altas que uma pessoa — e dispostas em formato arredondado, atraindo a atenção de quem passa ou visita o local.
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Rituais de celebração e transmissão cultural
A ALARPE promove anualmente eventos na praça para marcar a data: contação de histórias, apresentações circenses e atividades com estudantes. Essas ações transformam o espaço em ponto de encontro entre a obra literária, a arte visual e a vivência local do circo, permitindo que novos públicos conheçam a trajetória de Piollim e a memória que ele deixou em Ribeirão Preto.
Memória viva dos circos da cidade
Além de Piollim, a cidade também lembra outros palhaços e companhias locais, como Biriba, cuja trajetória teve forte presença em Ribeirão Preto. Testemunhos de quem frequentou tendas menores e espetáculos mais próximos do público ressaltam uma época em que o circo era uma experiência comunitária — com bancos de madeira, interações quase íntimas entre artistas e espectadores e programações variadas que iam do malabarismo à teatralização.
Para quem quiser conhecer essa parte da história local, a praça em frente ao Ribeirão Shoppe reúne poemas, ilustrações e painéis que contam essas histórias: uma visita é suficiente para resgatar memórias e entender por que o circo permanece presente na cultura da cidade.