Mais de 180 pessoas tiveram a doença no país sul-americano; quem explica a patologia é neurologista Wilson Marques Júnior
O Peru decretou estado de emergência sanitária devido a um aumento de casos da síndrome de Guillain-Barré. No primeiro semestre de 2023, foram registrados 182 pacientes, com quatro óbitos, 31 internados e 147 altas, segundo o Ministério da Saúde peruano.
O que é a Síndrome de Guillain-Barré?
A síndrome de Guillain-Barré é um distúrbio autoimune. O organismo, após entrar em contato com um vírus ou bactéria, produz anticorpos que, em vez de combaterem o agente infeccioso, atacam os nervos. Isso resulta em perda de sensibilidade, dor e, principalmente, fraqueza muscular, podendo afetar braços, pernas e até mesmo os nervos cranianos, comprometendo funções como mastigar, falar e respirar. Casos graves podem levar à paralisia respiratória e risco de morte, necessitando de intervenção imediata.
Causas e Fatores de Risco
O aumento de casos em um determinado período é comum, especialmente após a aparição de um novo vírus ou bactéria. Embora ainda não se saiba o agente causador do surto no Peru, a hipótese é de um vírus ou bactéria desconhecida até então. Embora não haja um grupo populacional especificamente vulnerável, algumas condições genéticas podem aumentar a predisposição à doença. A síndrome pode afetar pessoas de todas as idades, desde bebês até idosos.
Prevenção e Situação no Brasil
Não há uma forma específica de prevenir a síndrome de Guillain-Barré, uma vez que seu desenvolvimento depende do contato com um agente infeccioso e da resposta imunológica individual. No Brasil, não há indícios de epidemia. A doença ocorre ao longo do ano, com leve aumento em períodos de inverno, afetando cerca de 1 a 2 pessoas a cada 100 mil habitantes. O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto realiza estudos e tratamento da síndrome, focando no diagnóstico precoce e monitoramento da evolução do paciente, incluindo a observação de possíveis problemas respiratórios e cardíacos.
Embora o Peru enfrente um surto, as autoridades brasileiras não registram aumento significativo de casos. A investigação da causa do surto peruano é crucial para prevenir possíveis eventos similares no Brasil.



