Ananda Porto e Giuliano Tamura conversam com biólogo Luciano Lima sobre duas espécies que são exclusivas do Brasil
O podcast “Sons da Terra”, Você conhece os beija-flores de gravatas? Eles se destacam pela aparência e vocalização!, produzido pelo Terra da Gente em parceria com a Rádio CBN, apresentou um episódio dedicado a duas espécies exclusivas de beija-flores do Brasil, conhecidas popularmente como beija-flor de gravata. As espécies discutidas foram o beija-flor de gravata verde e o beija-flor de gravata vermelha, ambas associadas a áreas de montanha, especialmente na cadeia do Espinhaço, abrangendo regiões de Minas Gerais e Bahia.
Características das espécies: O beija-flor de gravata verde é encontrado principalmente ao sul da cadeia do Espinhaço, em locais como a Serra do Caraça e o Parque Estadual do Lobo Guará, em Minas Gerais. Já o beija-flor de gravata vermelha é típico da Bahia, habitando áreas montanas e de campo rupestre. Ambas as espécies possuem tamanho semelhante, variando entre 8 e 10 centímetros, e apresentam uma fisionomia robusta em comparação a outros beija-flores, adaptada ao clima de montanha.
Esses beija-flores são considerados joias da natureza devido à sua beleza e coloração vibrante. O macho do beija-flor de gravata verde exibe tons contrastantes de verde e azul com detalhes em preto, enquanto o macho do beija-flor de gravata vermelha apresenta uma coloração que varia entre vermelho, laranja, branco e amarelo, resultado de uma coloração estrutural que cria uma ilusão óptica conforme a incidência da luz. As fêmeas, por sua vez, possuem coloração mais apagada, sem os tons vibrantes dos machos.
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Comportamento e alimentação: Ambas as espécies são associadas a ambientes montanos e se alimentam principalmente de néctar, mas também consomem insetos. Uma característica notável é a ponta afilada do bico, que permite ao beija-flor perfurar a corola das flores para acessar o néctar sem necessariamente polinizá-las, uma adaptação importante em ambientes onde as flores podem não estar disponíveis o ano inteiro.
Além disso, esses beija-flores são bastante sonoros e territorialistas, o que contraria a ideia comum de que beija-flores são aves silenciosas. Eles possuem vocalizações frequentes e realizam danças específicas para exibição aos parceiros durante o período de acasalamento.
Distribuição e conservação: As duas espécies possuem distribuição restrita e são endêmicas de ambientes vulneráveis, como campos rupestres e áreas montanas do Espinhaço e da Bahia. Essa limitação geográfica e a vulnerabilidade dos habitats contribuem para que ambas sejam classificadas como quase ameaçadas. A conservação desses ambientes é fundamental para a manutenção dessas espécies.
O beija-flor de gravata vermelha, por exemplo, ficou cerca de 90 anos sem registros entre o século XIX e o início do século XX, sendo redescoberto graças ao trabalho do ornitólogo Emil Kemper, contratado pela estudiosa Emil Namburg para coletar espécies na América do Sul. Kemper é reconhecido por ter redescoberto várias espécies raras no Brasil, incluindo o beija-flor gravatazeiro da região de Boa Nova.
Observação e registros: O episódio destacou também experiências de observação dessas aves em campo, mencionando locais como a Chapada Diamantina e o Morro do Pai Inácio, na Bahia. Uma das observadoras, Cris Prates, tem um beija-flor de gravata vermelha que permite aproximação e interage com flores seguradas por ela, facilitando o registro audiovisual da espécie.
Os beija-flores de gravata são muito apreciados por observadores de aves nacionais e internacionais, não apenas pela beleza, mas também pelo ambiente exclusivo em que vivem. A Serra do Caraça, o Parque do Lobo Guará e a Chapada Diamantina são destinos reconhecidos para a observação dessas espécies.
Entenda melhor
Beija-flores apresentam coloração estrutural, que é uma ilusão óptica causada pela forma como a luz incide e é refletida pelas penas, diferente da coloração pigmentada. Essa característica faz com que as cores variem conforme o ângulo da luz, proporcionando um brilho e tonalidades que parecem mudar.
Além disso, os machos exibem cores vibrantes para atrair as fêmeas, que possuem coloração mais discreta, pois são as responsáveis pela construção do ninho e cuidado dos filhotes. A vocalização e as danças são comportamentos importantes para a comunicação e reprodução dessas aves.
Por fim, a conservação dos habitats montanos e campos rupestres é essencial para a sobrevivência dessas espécies endêmicas, que enfrentam ameaças como o fogo e a degradação ambiental.