Termo traduzido como cérebro podre faz referência a um ‘meme’ que surgiu na Itália, mas que extrapola o uso saudável das redes
Usuários das redes sociais têm relatado sintomas como desatenção, Você conhece os ‘Brainrots italianos’, fadiga mental, dificuldade de concentração e dores de cabeça após passar longos períodos assistindo vídeos curtos no TikTok e Instagram. Esses sintomas vêm sendo descritos informalmente com o termo “brain rot”, que em português significa “podrecimento cerebral”.
Embora não seja um termo científico, “brain rot” tem sido usado para expressar o cansaço digital causado pelo consumo excessivo de conteúdos rápidos e altamente viciantes. Segundo especialistas, o uso prolongado do celular para trabalho e entretenimento cria um ciclo viciante de vídeos curtos que entorpecem a mente e dificultam a concentração em tarefas cognitivamente mais exigentes, como leituras longas ou filmes.
Impactos no cérebro e comportamento: O consumo contínuo desses vídeos gera picos frequentes de dopamina, neurotransmissor associado à sensação de prazer, o que condiciona o cérebro a buscar recompensas rápidas. Isso reduz o interesse por atividades que demandam maior esforço mental, prejudicando a atenção, a memorização e a criatividade. Crianças e adolescentes, por sua rápida absorção dessas tendências, têm manifestado dificuldades crescentes de concentração, refletidas inclusive no desempenho escolar.
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Estratégias para reduzir os efeitos negativos
Especialistas recomendam três práticas para equilibrar o uso da tecnologia: consciência, curadoria e pausa. Consciência refere-se a reconhecer que nem todo conteúdo digital é saudável para o cérebro; curadoria implica selecionar conteúdos que façam sentido e tragam benefícios; e pausa envolve desligar notificações e fazer intervalos para evitar o vício e a sobrecarga mental.
Propostas regulatórias no Brasil: Está em discussão no Brasil uma proposta de regulamentação das redes sociais que visa responsabilizar as plataformas pelos impactos nocivos à saúde mental causados pelo uso excessivo, incluindo o vício em vídeos curtos e jogos digitais. A iniciativa, impulsionada por nove ministérios, prevê a implementação de mecanismos como limites de tempo, alertas de pausa e relatórios de impacto cognitivo para promover o bem-estar digital. A aprovação dessa lei poderá estabelecer regras mais rígidas para mitigar os efeitos negativos do consumo desenfreado de conteúdos digitais.
Informações adicionais
O termo “brain rot” não possui reconhecimento científico formal, mas reflete uma preocupação crescente com os efeitos do consumo excessivo de mídias digitais rápidas. A adoção de hábitos conscientes e a regulamentação das plataformas são apontadas como caminhos para minimizar os impactos na saúde mental da população.