Impresso, imprimido… qual o certo? Quem explica é a mestra em linguística Lígia Boareto na coluna ‘CBN Papo Certo’
Neste artigo, vamos discutir a diferença entre as formas ‘impresso’ e ‘imprimido’, um tema proposto por uma ouvinte do programa CBN Papo Certo. A discussão se baseia no uso do verbo "imprimir", considerado um verbo abundante, ou seja, possui mais de uma forma de particípio.
O que são verbos abundantes?
Verbos abundantes possuem mais de uma forma de particípio, como "imprimir", que pode ser "impresso" ou "imprimido". Outros exemplos são "aceitar" (aceito/aceitado), "prender" (preso/prendido) e "morrer" (morto/morrido). A escolha entre as formas depende do contexto e do verbo auxiliar utilizado na frase.
Voz ativa e voz passiva: a chave para o uso correto
A principal diferença entre o uso de ‘impresso’ e ‘imprimido’ reside na voz verbal. Na voz ativa, o sujeito pratica a ação, usando-se ‘imprimido’ (ex: Eu já tinha imprimido o documento). Já na voz passiva, o sujeito sofre a ação, utilizando-se ‘impresso’ (ex: O documento foi impresso). O uso do verbo auxiliar (ter, haver, ser, estar, ficar) também influencia a escolha. Com ‘ter’ ou ‘haver’, usa-se a forma regular (imprimido); com ‘ser’, ‘estar’ ou ‘ficar’, a irregular (impresso).
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Considerações finais sobre o uso de particípio
Embora a gramática tradicional defenda a distinção entre as formas, o uso de ‘pago’ e ‘pagado’, por exemplo, é comum na linguagem cotidiana, sendo muitas vezes aceito, mesmo que não seja a forma mais adequada segundo a norma culta. A escolha entre as formas de particípio de verbos abundantes requer atenção ao contexto e à voz verbal, mas a flexibilidade da língua permite variações, dependendo do nível de formalidade e da preferência do falante. O importante é estar consciente das nuances gramaticais para aprimorar a comunicação.