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Você é fã de doce? Já pensou qual o caminho do principal ingrediente, o açúcar, do campo à mesa?

Estudo aponta que o brasileiro consome 30 kg do produto por ano; confira como funciona sua produção na série Canavial do Futuro
Você é fã de doce? Já
Estudo aponta que o brasileiro consome 30 kg do produto por ano; confira como funciona sua produção na série Canavial do Futuro

Estudo aponta que o brasileiro consome 30 kg do produto por ano; confira como funciona sua produção na série Canavial do Futuro

O açúcar completa cerca de 500 anos de presença na economia brasileira e continua presente na rotina dos brasileiros — seja no bolo, no chocolate, no pudim da família ou em um cafezinho diário. Nesta reportagem sobre as transformações no campo, mostramos como os canaviais do interior paulista mantêm um papel central na produção de um ingrediente que movimenta bilhões de reais.

Do campo à mesa

O Brasil é hoje o maior produtor e exportador mundial de açúcar, com grande parte da produção concentrada nos canaviais de São Paulo. A cultura da cana-de-açúcar foi trazida pelos portugueses e o primeiro engenho foi erguido em 1533. Meio milênio depois, o setor segue como um dos principais pilares da agricultura brasileira.

O consumo por pessoa no país é alto: o brasileiro ingere cerca de 30 quilos de açúcar por ano, bem acima da recomendação da Organização Mundial da Saúde, que sugere 18 quilos. Para o médico nutrólogo José Ernesto dos Santos, o problema não é o açúcar em si, mas seu excesso: “O grande problema do açúcar é o excesso. Uma pessoa pode adicionar 7 a 10 gramas de açúcar por café, e se toma oito, dez cafés por dia, isso vira um consumo elevado”, alerta. Segundo ele, em indivíduos saudáveis o açúcar é uma fonte de energia, mas o consumo excessivo contribui para a onda de obesidade observada no país.

Açúcar orgânico e práticas locais

Ao lado das grandes usinas, crescem iniciativas de produção orgânica. Em Jardinópolis, uma fazenda produz açúcar mascavo orgânico em pequena escala: a cana é transportada de caminhão até uma usina local, moída duas vezes, filtrada, cozida em tachos e, sem aditivos, passa por batedores e centrífugas antes de ser embalada. O resultado, segundo o proprietário Luiz de Long Cabral, é um produto mais natural que reforça práticas sustentáveis na própria propriedade. “É um produto natural que gera, aqui dentro da fazenda, benefícios relacionados à sustentabilidade”, afirma.

Wagner Gonçalves, gerente financeiro de uma fábrica de açúcar, vê crescimento na demanda pelo mascavo e outros produtos menos processados: “O apelo pelo açúcar natural é cada vez maior. Produção próxima à indústria agrega valor à cana e traz rentabilidade”, diz ele.

Mercado e números

Levantamento recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta a produção de cana para a safra do ano em 713 milhões de toneladas, um aumento de 16,8% em relação ao ciclo anterior e novo recorde na série histórica acompanhada pela instituição. A área colhida também cresceu 0,5%.

Com preços e demanda favoráveis, a maior parte da cana foi direcionada para a produção de açúcar nesta safra: a Conab estima 45 milhões de toneladas de açúcar, crescimento de 24% frente à safra passada — outro recorde na série histórica. Para Antônio Eduardo Tonielo Filho, diretor de usinas de cana, o açúcar mantém-se como um importante produto de exportação para o país.

Do pequeno engenho ao parque industrial, a cana segue como presença histórica e econômica no interior paulista, ao mesmo tempo em que o setor enfrenta a necessidade de conciliar produtividade, consumo consciente e novas demandas por produtos orgânicos.

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