Historiador Felipe Souza vai promover, no dia 24 de março, a 4ª visita ao cemitério da Saudade; saiba como participar!
O historiador Felipe Souza é o responsável pela terceira edição de uma visita cultural que transforma o Cemitério da Saudade em um roteiro de memória e arte. Instalado por volta de 1893, o cemitério é descrito por Felipe como um museu a céu aberto, com acervo rico em esculturas e monumentos que contam a história de Ribeirão Preto.
O cemitério como museu a céu aberto
Entre os pontos mais visitados está o túmulo do conhecido menino Zezinho, cuja sepultura se tornou local de peregrinação desde a década de 1940. A devoção leva visitantes a deixar flores, plaquinhas e lembranças junto à estátua que o acompanha — inclusive uma peça em homenagem a um cachorro, lembrança colocada pelos donos e que costuma ser mostrada aos participantes das visitas. Além desse túmulo, o espaço guarda campas de prefeitos, religiosos e personalidades locais, como as irmãs ursulinas ligadas ao antigo colégio da cidade, além de obras de marmorizadores italianos que trabalharam na região.
Origem e formato das visitas
Segundo Felipe, a iniciativa surgiu de sua pesquisa universitária sobre as obras do cemitério, tema de seu trabalho de conclusão de curso. Desde 2009 ele promove visitas mediadas, inicialmente em projetos de extensão com escolas, que hoje se repetem em formato voltado ao público geral. Cada edição tem capacidade limitada — cerca de 40 vagas por segurança e infraestrutura — e as inscrições costumam se esgotar em menos de 24 horas. Quem perder as vagas pode acompanhar novidades e inscrições pela conta @cidadedosmortos1 no Instagram; Felipe diz ainda manter lista de espera para preencher desistências e pretende realizar mais três ou quatro edições ao longo do ano. As visitas são abertas a públicos variados e, segundo o organizador, também são adequadas para crianças.
Patrimônio em risco
Apesar da importância histórica, o cemitério enfrenta problemas de conservação. Muitas campas estão tombadas por órgãos de patrimônio municipal ou estadual, mas carecem de manutenção efetiva. Felipe alerta para a deterioração de peças e trechos que já apresentam queda de material, resultado da ação do tempo e da falta de intervenções regulares. A preservação, diz ele, depende de ação coordenada entre administrações públicas e órgãos de proteção, pois a legislação sozinha não garante a conservação prática do acervo.
As visitas ao Cemitério da Saudade têm atraído interesse crescente como forma de resgatar memórias e visibilizar o patrimônio funerário local, ao mesmo tempo em que evidenciam a necessidade de políticas públicas mais efetivas para conservação.



