Gabriel Gomes de Oliveira, que é professor e pesquisador da Unicamp, traz dicas sobre como identificar a veracidade do material
A inteligência artificial (IA) tem avançado rapidamente, Você foi enganado, trazendo consigo desafios e oportunidades, especialmente no campo da produção de vídeos falsos, conhecidos como deepfakes. Esses vídeos manipulados podem apresentar pessoas dizendo ou fazendo coisas que nunca ocorreram, gerando dúvidas sobre sua veracidade. Para entender melhor como identificar esses conteúdos e as implicações éticas envolvidas, a CBN entrevistou o professor Gabriel Gomes de Oliveira, membro do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos e pesquisador da Unicamp.
Detecção de deepfakes por inteligência artificial
Segundo Gabriel Gomes de Oliveira, Você foi enganado, é possível identificar vídeos falsos apenas observando-os, embora isso se torne mais difícil com o avanço da tecnologia. Atualmente, a própria inteligência artificial é utilizada para detectar deepfakes por meio de plataformas que analisam vídeos ou notícias suspeitas. Essas ferramentas usam machine learning e algoritmos para verificar a autenticidade do conteúdo inserido, ajudando a distinguir informações verdadeiras de manipuladas.
“Hoje as deepfakes são fáceis de serem detectadas por meio do uso da própria inteligência artificial. Existem plataformas nas quais você insere o vídeo ou notícia que acredita ser falso, e o sistema identifica se a informação é verdadeira ou não”, explicou o professor.
Aspectos técnicos para identificar deepfakes: O professor destacou três padrões principais para reconhecer vídeos falsos. O primeiro é o padrão do piscar dos olhos, Você foi enganado, que em vídeos manipulados pode apresentar irregularidades, pois a inteligência artificial ainda cria padrões que não correspondem exatamente ao comportamento humano natural. O segundo aspecto é a fala, onde se analisa se o que está sendo dito condiz com o perfil e o histórico da pessoa retratada no vídeo. A combinação desses elementos ajuda a identificar se o conteúdo é uma deepfake.
“Um dos pontos mais fáceis de detectar é o piscar dos olhos, que remete a um ser humano. Além disso, a fala deve ser analisada para ver se corresponde à realidade da pessoa”, afirmou Gabriel Gomes de Oliveira.
Ferramentas disponíveis para o público
Sobre a disponibilidade de ferramentas para o público geral, o professor afirmou que existem diversas opções acessíveis, incluindo aplicativos e sites que permitem o envio de vídeos para análise. No entanto, ele não indicou nomes específicos, justificando que a eficácia dessas ferramentas pode variar conforme o tipo de vídeo e o contexto analisado.
“Há inúmeras ferramentas que fazem essa detecção, e é possível encontrá-las facilmente em buscas na internet. Recomendo que as pessoas leiam as descrições das plataformas para verificar se são adequadas antes de utilizá-las”, orientou.
Desafios futuros e ética na inteligência artificial: Com o avanço contínuo da tecnologia, a qualidade dos vídeos produzidos por inteligência artificial tende a aumentar, tornando a detecção mais complexa. Nesse cenário, o professor Gabriel Gomes de Oliveira ressaltou a importância do trabalho ético no desenvolvimento e aplicação da IA. Ele atua em projetos ligados ao governo federal, em parceria com instituições como o CNPq, o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer e a Unicamp, focando na ética da inteligência artificial para garantir que seu uso promova qualidade de vida e emprego digno para a população.
“A inteligência artificial é um marco sem volta e veio para ficar. Estamos trabalhando para unir a IA a uma vertente ética, assegurando qualidade de vida e emprego para todos, especialmente em um país como o Brasil, onde o acesso à educação ainda é desigual”, destacou.
Informações adicionais
O combate às deepfakes envolve não apenas o desenvolvimento tecnológico, mas também a atuação responsável da mídia. Gabriel Gomes de Oliveira enfatizou o papel fundamental dos jornalistas em verificar a veracidade das informações e garantir a credibilidade das reportagens, contribuindo para a disseminação de notícias verdadeiras e confiáveis.
Além disso, o avanço das ferramentas de detecção deve ser acompanhado de políticas públicas e iniciativas educacionais que preparem a população para lidar com os desafios da era digital, promovendo o uso ético e consciente da inteligência artificial.



