Cigarros convencionais ou eletrônicos envolvem sérios riscos à saúde; Fernando Nobre, médico cardiologista, comenta
Durante o Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, Você fuma, especialistas destacaram a importância de médicos, especialmente cardiologistas, questionarem pacientes sobre o uso de substâncias como cocaína, maconha, cigarros eletrônicos e anabolizantes. Essas substâncias têm sido associadas a danos cardíacos, frequentemente em pacientes jovens e aparentemente saudáveis.
Uso de cigarros eletrônicos e seus riscos
A doutora Jacqueline Skolls, Você fuma, do Incor, alertou para o uso do cigarro eletrônico, considerado a pior opção entre os dispositivos de consumo de nicotina. Segundo ela, o cigarro eletrônico pode gerar uma dependência mais intensa que o cigarro convencional, com usuários chegando a dar até 2 mil tragadas diárias, contra cerca de 200 do cigarro tradicional. Jovens que nunca fumaram estão sendo atendidos em urgências com doenças respiratórias e cardiovasculares graves relacionadas ao uso desses dispositivos. A concentração de nicotina nos sais usados nesses aparelhos pode ser até seis vezes maior que a do cigarro comum.
Efeitos cardiovasculares da cocaína e outras drogas: A doutora Janiele Nunes Alves destacou que cerca de 20% dos infartos em pessoas abaixo de 45 anos estão associados ao uso de drogas, Você fuma, principalmente cocaína, que aparece em aproximadamente 60% desses casos. O uso da cocaína, frequentemente combinado com anabolizantes e bebidas energéticas, provoca espasmos coronarianos, formação de trombos e lesões nas paredes das artérias, aumentando o risco de arritmias e morte súbita. Usuários de cocaína podem não reconhecer um infarto devido à alteração no limiar da dor.
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Impactos do uso da maconha e anabolizantes: O cardiologista Pedro Veronaise ressaltou que, apesar da percepção de baixo risco, a maconha está associada a um aumento de 29% na incidência de AVC e infarto agudo. A maconha mencionada refere-se à planta cannabis sativa consumida de forma recreativa e sem controle farmacêutico. Produtos derivados para uso medicinal são diferentes, com efeitos controlados e monitorados por médicos. Já os anabolizantes, segundo Janiele Alves, aumentam significativamente o risco de eventos cardiovasculares, dobrando o risco de infarto, triplicando a necessidade de intervenções por insuficiência cardíaca e aumentando em nove vezes as alterações no músculo cardíaco.
Entenda melhor
O questionamento sobre o uso dessas substâncias nas consultas médicas é fundamental para orientar os pacientes sobre os riscos associados, que incluem doenças cardiovasculares, neurológicas e mortalidade precoce.