Testemunhas disseram à Adriana Silva que pequenos clarões redondos aparecem no céu, após a meia-noite e ficam te seguindo
A lenda da Mãe do Ouro, tema desta edição, é uma narrativa folclórica da zona rural brasileira, com forte presença na região de Ribeirão Preto. Apesar da urbanização intensa da cidade (99,7% de área urbana), a pesquisa realizada em 2012-2013 com moradores de fazendas locais revelou a persistência dessa lenda.
Uma Lenda Compartilhada
O estudo entrevistou moradores rurais de três fazendas distintas, representando a última geração nascida e criada nesses locais. O surpreendente é que, sem se conhecerem, todos relataram a mesma lenda: a Mãe do Ouro, descrita como pequenos clarões em formato de bola que se movem no céu noturno, após a meia-noite. Um entrevistador, da fazenda Pau d’Alho, em Bofete Paulista, relatou ter sido seguido por uma dessas luzes enquanto trabalhava com o trator.
Explicações Científicas e Crenças Populares
Embora cientistas atribuam o fenômeno a possíveis reflexos de pedras lascadas, a vivacidade dos relatos populares reforça a crença na lenda. A pesquisa também abordou outra crença local: a de que levar água para uma santa em tempos de seca garante chuva. Embora a eficácia desse ritual seja questionada atualmente, a fé coletiva e o ato de peregrinação demonstram a força das crenças populares e a sua ligação com a natureza.
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Memórias Rurais em um Mundo Urbano
A pesquisa, documentada em vídeo e disponível no site do Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais (www.normalipc.com), resgata memórias e tradições da zona rural, contrastando com a realidade urbana atual. O projeto oferece um olhar valioso sobre a cultura local, incluindo músicas, culinária e depoimentos dos entrevistados, preservando um legado cultural em transição.