Quem traz os detalhes é Clayton Guimarães na coluna ‘CBN Empreende’
O primeiro semestre de 2021 registrou um recorde histórico em investimentos em startups, tanto globalmente quanto no Brasil. Segundo dados do Crunchbase, foram investidos US$ 288 bilhões em startups no mundo, um aumento de 61% em comparação com o melhor semestre anterior. No Brasil, o relatório da Inside Venture Capital aponta investimentos de US$ 5,2 bilhões, superando em 45% o volume total de 2020.
Investimento recorde e novos unicórnios
Esse crescimento exponencial se deve a diversos fatores. Grandes aportes, incluindo 11 mega rodadas com investimentos acima de US$ 100 milhões cada, impulsionaram os números. Quatro dessas rodadas geraram novos unicórnios nacionais: Madeira, Hotmart, CCS Bank e Mercado Bitcoin. No total, foram 339 aportes em startups brasileiras, concentrados principalmente nos setores de fintech, varejo (retailtech) e saúde (healthtech).
Fatores que contribuíram para o sucesso
A desvalorização do real frente ao dólar tornou os investimentos em dólares mais atrativos. A menor rentabilidade de investimentos tradicionais também levou investidores a assumirem mais riscos calculados, com 67% dos investimentos direcionados a startups mais maduras. A aprovação do Marco Legal das Startups em junho trouxe mais clareza regulatória, embora o veto de um artigo que impedia a equiparação tributária entre investimentos em ações e investimentos em startups tenha gerado insatisfação.
Leia também
O futuro dos investimentos em startups
Apesar dos desafios impostos pela pandemia, o investimento em startups surpreendeu positivamente. A fuga de investimentos de setores tradicionais para o setor de tecnologia contribuiu para esse resultado. A possibilidade de investimentos em startups por meio de bolsas de valores, já realidade em países como Canadá e Estados Unidos, é uma perspectiva para o Brasil, dependendo da regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O mercado de equity crowdfunding, embora em crescimento, ainda movimenta um volume pequeno em comparação com os grandes fundos de venture capital, necessitando de ajustes regulatórios para ampliar seu alcance e permitir a revenda de ações (mercado secundário).