Teffé teve grande destaque no Brasil e na Europa na década de 20 ; ouça a coluna ‘Giro Sobre Rodas’ com Tiago Songa
O piloto brasileiro Manuel Antônio de Tefé, nascido em 30 de março de 1905, é o destaque desta semana. Embora menos conhecido que outros nomes do automobilismo nacional, sua trajetória é fundamental para a história do esporte no Brasil.
Um Pioneiro do Automobilismo Brasileiro
Tefé, filho de um diplomata brasileiro na França, nasceu em Paris, mas viveu a maior parte de sua vida no Brasil. Sua paixão por automóveis começou cedo, impulsionada pelo presente de seu pai: uma motocicleta francesa. Ainda jovem, participou de corridas na Europa, tornando-se um dos primeiros brasileiros a competir internacionalmente, ao lado de Irineu Correia.
Lutando pela Popularização do Esporte
De volta ao Brasil, Tefé enfrentou os desafios de um cenário automobilístico incipiente. As corridas eram organizadas por clubes de ciclismo, com pouca estrutura e muitas restrições burocráticas. Ele foi peça-chave na promoção do primeiro grande evento de automobilismo brasileiro: o Circuito da Gávea, com seu famoso “Trampolim do Diabo”. Seu posicionamento político familiar o ajudou a obter autorizações de Getúlio Vargas, atraindo competidores internacionais e colocando o Brasil no mapa do automobilismo mundial. A popularidade do Circuito da Gávea contribuiu diretamente para a construção do Autódromo de Interlagos, em 1940.
Legado duradouro
Além de piloto, Tefé dedicou-se à organização de corridas. Sua atuação se estendeu por décadas, culminando na organização de uma corrida em Brasília, dois dias após a inauguração da capital, em 1960. Sua contribuição para o desenvolvimento do automobilismo brasileiro, por mais de 40 anos, é inegável. Apesar do relativo esquecimento atual, sua história inspira e merece ser lembrada como um marco na trajetória do esporte no país.