Neologismo tem a ver com o medo das pessoas com as mudanças climáticas; quem fala do tema é Luiz Puntel no ‘Oficina de Palavras’
A expressão eco-ansiedade refere-se à preocupação constante e ao medo relacionados aos impactos das ações humanas sobre o meio ambiente. Esse termo, Você já ouviu falar na ‘eco-ansiedade’?, que combina a palavra “ansiedade” com o prefixo “eco”, de ecologia, tem ganhado destaque diante dos eventos climáticos extremos e das mudanças ambientais que afetam diversas regiões do Brasil e do mundo.
Fenômenos como enchentes, deslizamentos de terra e queimadas têm se tornado cada vez mais frequentes, causando prejuízos materiais e emocionais às populações afetadas. No sul do Brasil, por exemplo, as enchentes recentes causaram grandes transtornos, enquanto no estado de São Paulo e em outras regiões do país, as queimadas têm provocado danos ambientais significativos e preocupações sociais.
Origem e reconhecimento do termo eco-ansiedade
O termo eco-ansiedade foi criado em 1989 na cidade de Berkeley, nos Estados Unidos, para descrever o medo e a angústia relacionados às crises ambientais. Em 2021, o dicionário Oxford incorporou oficialmente a palavra, e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa também a reconheceu, consolidando seu uso no Brasil.
Leia também
Manifestações e impactos da eco-ansiedade: Pessoas que acompanham notícias sobre desastres ambientais, queimadas e mudanças climáticas por meio da televisão e das redes sociais podem desenvolver sintomas associados à eco-ansiedade. Entre os sinais relatados estão taquicardia, sudorese, sensação de sufocamento, nervosismo e medo do futuro. Profissionais da saúde mental, como psicólogos e psiquiatras, têm observado um aumento na procura por atendimento relacionado a esses sintomas.
Eco-ansiedade e ativismo ambiental: Apesar do sofrimento causado pela eco-ansiedade, essa condição também pode funcionar como um impulso para o engajamento em ações de ativismo ambiental. O medo e a preocupação com o futuro do planeta podem motivar indivíduos a se unirem em prol de causas ecológicas e políticas que visem a preservação ambiental.
Essa relação entre o impacto emocional da crise ambiental e o ativismo foi tema da prova de redação da Santa Casa de São Paulo, aplicada recentemente. O tema exigia uma reflexão sobre como o medo e a ansiedade provocados pelas mudanças climáticas podem impulsionar a mobilização social e política em defesa do meio ambiente.
Importância da conscientização política: Além do ativismo individual, a eco-ansiedade destaca a necessidade de atenção às propostas políticas relacionadas ao meio ambiente. Conhecer as posições de candidatos a cargos públicos, como prefeitos e vereadores, sobre questões ambientais é fundamental para que o eleitor possa tomar decisões conscientes durante o processo eleitoral.
O engajamento político, aliado à mobilização social, pode contribuir para a implementação de políticas públicas eficazes no combate às mudanças climáticas e na mitigação dos seus efeitos.
Entenda melhor
A eco-ansiedade é uma resposta emocional legítima diante da crise ambiental global. Reconhecê-la e buscar formas de canalizar essa preocupação em ações concretas pode ajudar a transformar o medo em esperança e mobilização social.
Profissionais de saúde mental recomendam que pessoas que se sentem sobrecarregadas por essas questões procurem apoio adequado e se envolvam em grupos ou iniciativas que promovam a sustentabilidade e a conscientização ambiental.