Mas será que esta substância pode causar algum problema à saúde? Endocrinologista Larissa Cocicov traz os detalhes!
A semaglutida é o princípio ativo do medicamento conhecido comercialmente como Ozempic, Você já ouviu falar na semaglutida? Princípio ativo é usado em remédios de emagrecimento, cujo consumo aumentou 91% em 2023. Para esclarecer o funcionamento e os riscos associados a esse medicamento, a CBN entrevistou a endocrinologista Dra. Larissa Kossikov, do Instituto de Educação Médica.
Dra. Larissa explicou que a semaglutida é um hormônio produzido naturalmente pelo organismo, secretado no intestino, que atua na secreção de insulina e na sensação de saciedade, reduzindo a fome. Inicialmente, estudos foram realizados com pacientes diabéticos, que apresentavam resistência a esse hormônio. Medicamentos semelhantes, como liraglutida e dulaglutida, já estavam no mercado, e posteriormente a semaglutida foi aprovada para o tratamento da obesidade, inclusive em pessoas sem diabetes.
Uso e riscos do medicamento: A médica destacou que, apesar dos benefícios, a semaglutida deve ser prescrita e acompanhada por um profissional de saúde, pois todo medicamento apresenta riscos, incluindo efeitos colaterais e reações adversas. Ela alertou para o uso abusivo sem prescrição médica, que pode ser perigoso. Embora o medicamento não seja controlado, o que permite a compra sem receita, esse acesso facilitado é considerado inadequado, principalmente porque o custo elevado limita o consumo.
Dra. Larissa ressaltou que o medicamento proporciona resultados rápidos na perda de peso, o que pode levar as pessoas a preferirem o uso da medicação em vez de mudanças no estilo de vida, como dieta e exercícios. No entanto, ela enfatizou que manter o peso perdido é mais difícil do que emagrecer, e a interrupção do medicamento sem acompanhamento pode causar o efeito rebote, ou seja, o reganho de peso.
Tratamento crônico e acompanhamento médico
A obesidade é uma doença crônica, assim como diabetes e hipertensão, e pode exigir tratamento contínuo. A médica explicou que, para alguns pacientes, o uso prolongado da semaglutida será necessário para manter os resultados, enquanto outros poderão suspender o medicamento com acompanhamento adequado. Ela comparou a situação ao tratamento do diabetes, em que a interrupção do remédio pode levar à piora da glicemia.
Dra. Larissa também comentou sobre o consumo de álcool durante o uso do medicamento, afirmando que não há contraindicação direta, mas que o álcool pode causar mal-estar, já que a semaglutida atua no estômago e intestino, podendo potencializar efeitos adversos, especialmente em pessoas que não estão habituadas a beber.
Comparação com cirurgia bariátrica e orientações sobre informações na internet: Um ouvinte questionou sobre a comparação entre a cirurgia bariátrica e o uso da semaglutida. A endocrinologista esclareceu que são tratamentos diferentes, cada um com indicações específicas. Ambos podem ser eficazes, e a escolha depende do perfil do paciente. Ela destacou que a semaglutida é uma alternativa terapêutica importante e eficaz para muitos pacientes, e que o medo do uso do medicamento pode impedir que pessoas que se beneficiariam dele façam o tratamento.
Sobre as informações disponíveis na internet, Dra. Larissa alertou que a rede é fonte tanto de informação quanto de desinformação. Ela recomendou que as pessoas consultem profissionais de confiança para discutir tratamentos, pois o que funciona para uma pessoa pode não ser adequado para outra. A médica enfatizou que não existem fórmulas mágicas para emagrecimento e que o acompanhamento profissional é fundamental para resultados seguros e duradouros.
Mecanismo de ação da semaglutida: Em resposta a uma pergunta sobre como a semaglutida atua no organismo, Dra. Larissa explicou que o medicamento age no hipotálamo, região do cérebro responsável pela sensação de fome, reduzindo os sinais que indicam fome. Além disso, a semaglutida retarda o esvaziamento gástrico, fazendo com que o alimento permaneça mais tempo no estômago, prolongando a sensação de saciedade e diminuindo a frequência alimentar.
Outro efeito importante é a manutenção do metabolismo durante a perda de peso, evitando a redução do gasto energético que normalmente ocorre, o que ajuda a evitar o reganho de peso. A semaglutida promove principalmente a perda de gordura visceral, associada a riscos metabólicos, como gordura no fígado. Também oferece benefícios metabólicos adicionais, como melhora na secreção e sensibilidade à insulina, redução da pressão arterial e da aterosclerose, sendo útil para pacientes com pré-diabetes, diabetes e outras condições metabólicas.
Ausência de alternativas naturais eficazes
Dra. Larissa afirmou que não existem substâncias naturais ou manipuladas que reproduzam os efeitos da semaglutida. Embora o hormônio GLP-1 seja produzido fisiologicamente, em pacientes com obesidade e diabetes sua ação está comprometida, e a medicação é necessária para restabelecer seus efeitos. Ela alertou para os riscos de fórmulas manipuladas, que não são seguras nem eficazes.
Entenda melhor
A semaglutida é um medicamento que atua como análogo do hormônio GLP-1, promovendo a perda de peso por meio da redução do apetite e da melhora do metabolismo. Seu uso deve ser sempre orientado por um médico, com acompanhamento contínuo, para garantir segurança e eficácia. A obesidade é uma condição crônica que pode exigir tratamento prolongado, e o uso do medicamento sem prescrição pode acarretar riscos à saúde. Informações encontradas na internet devem ser avaliadas com cautela e discutidas com profissionais de saúde.



