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Você já se perguntou por que é preciso furar o pé do bebê para fazer um ‘check-up’?

Teste do pezinho é fundamental para monitorar a saúde da criança; quem fala sobre o exame é Ivan Savioli Ferraz
Você já se perguntou por que
Teste do pezinho é fundamental para monitorar a saúde da criança; quem fala sobre o exame é Ivan Savioli Ferraz

Teste do pezinho é fundamental para monitorar a saúde da criança; quem fala sobre o exame é Ivan Savioli Ferraz

O teste do pezinho é um exame obrigatório para todos os recém-nascidos no Brasil, Você já se perguntou por que é preciso furar o pé do bebê para fazer um ‘check-up’?, regulamentado por lei, que deve ser realizado preferencialmente entre o terceiro e o quinto dia de vida. Segundo o professor Ivansa Violi, da Universidade de São Paulo (USP), o exame tem como objetivo detectar doenças raras e assintomáticas no nascimento, possibilitando um diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento para evitar sequelas graves e irreversíveis.

O teste consiste na coleta de uma ou duas gotas de sangue do calcanhar do bebê, realizada com uma lanceta em uma região específica do pé. Essa forma de coleta é adotada por ser prática, padronizada e menos invasiva do que a retirada de sangue por punção venosa, além de facilitar a realização em larga escala, já que muitas crianças precisam ser testadas diariamente.

Doenças detectadas e limitações do teste atual

Atualmente, o teste do pezinho realizado na maioria das cidades do estado de São Paulo, incluindo Ribeirão Preto, detecta sete doenças. Entre elas estão a fenilcetonúria e o hipotireoidismo congênito, que podem causar atrasos intelectuais e outros prejuízos graves se não tratados precocemente. Em algumas capitais, como São Paulo, já existe a oferta de um teste ampliado que detecta cerca de 20 doenças, porém a ampliação para 50 doenças prevista em lei federal de maio de 2021 ainda não foi implementada em todo o país.

O professor Ivansa destaca que a principal barreira para a ampliação do teste do pezinho é a falta de recursos orçamentários, o que gera um atraso na implementação da lei. Ele ressalta a importância de uma discussão pública e do engajamento da sociedade e da imprensa para pressionar as autoridades a investirem na ampliação do exame, especialmente considerando a gravidade das doenças que podem ser detectadas e o potencial benefício para a saúde infantil.

Desafios regionais e cobertura do teste: Além da limitação no número de doenças detectadas, há também desigualdades regionais na cobertura do teste do pezinho. Em estados como Amazonas, por exemplo, apenas cerca de 60% das crianças realizam o exame, devido a dificuldades logísticas e de acesso à saúde. O professor reforça que o teste ampliado deveria ser oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o território nacional, conforme previsto na legislação, para garantir igualdade no diagnóstico precoce e tratamento das doenças.

Período ideal para coleta e necessidade de testes adicionais: O momento ideal para a coleta do teste do pezinho é entre o terceiro e o quinto dia de vida do bebê. Isso ocorre porque algumas doenças, como a fenilcetonúria, só apresentam alterações detectáveis após o bebê ter se alimentado por alguns dias. A coleta realizada imediatamente após o nascimento pode resultar em falso negativo, comprometendo o diagnóstico.

Em casos de prematuridade, o exame pode precisar ser repetido uma ou mais vezes, até o vigésimo oitavo dia de vida, devido à imaturidade dos órgãos do bebê, como a tireoide. Essa repetição é necessária para evitar falsos negativos, já que o funcionamento dos órgãos pode se alterar com o desenvolvimento pós-natal.

Interpretação dos resultados e acompanhamento

O teste do pezinho é uma triagem e, portanto, um resultado positivo não significa necessariamente que a criança tenha a doença. Em caso de alteração no exame, os pais são convocados para a realização de testes confirmatórios, que são essenciais para o diagnóstico definitivo. O professor Ivansa destaca que o teste é altamente seguro e eficaz, com uma taxa muito baixa de falsos negativos, mas reforça a importância do acompanhamento pediátrico contínuo para identificar qualquer sinal clínico que possa indicar a presença de uma doença não detectada no exame.

Informações adicionais

O teste do pezinho é fundamental para a detecção precoce de doenças metabólicas, genéticas e endócrinas que, se não tratadas, podem levar a sequelas graves ou até à morte. A ampliação do teste para incluir mais doenças está prevista em lei, mas ainda depende de investimentos e organização do sistema de saúde. A conscientização dos pais e profissionais de saúde sobre a importância do exame e do acompanhamento é crucial para garantir a saúde e o desenvolvimento adequado das crianças.

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