Diminuição na demanda e alta nos tributos sobre a produção no Estado de São Paulo tem feito fábricas mudarem local de produção
Dezembro ainda não terminou e o setor calçadista de Franca já registra inúmeras demissões. Embora seja comum a redução de funcionários nessa época do ano, a situação atual se agrava pela falta de perspectivas de novas contratações para 2024 e a transferência de setores para outros estados.
Demissões em Massa e Mudança de Localização
Uma fábrica de Franca demitiu 45 funcionários da linha de produção, alegando baixa demanda e altos impostos. O empresário José Jacomet relatou a dificuldade em fechar vendas para o próximo ano, justificando as demissões e a necessidade de férias coletivas. Outra empresa chegou a demitir mais de 1200 funcionários, transferindo sua produção para o Nordeste em busca de custos menores. Um ex-funcionário relatou a atmosfera de apreensão na empresa antes do anúncio das demissões e da mudança da produção para a Bahia, mantendo apenas a administração e o setor de modelagem em Franca.
Impactos Econômicos e Sociais
Segundo o diretor do sindicato dos trabalhadores, Sebastião Ronaldo Oliveira, as demissões são comuns em dezembro, mas a situação atual exige uma análise mais aprofundada. Ele critica a falta de incentivos fiscais por parte do governo estadual, que leva empresas a migrarem para outros estados com tributação mais favorável e mão de obra mais barata. O sindicato estima que 40% dos 19 mil empregados no setor calçadista de Franca foram demitidos em dezembro. O economista Fred Nazar demonstra preocupação com o cenário para o próximo ano, considerando a pressão tributária e a busca das empresas por redução de custos.
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Perspectivas Futuras
O governo do Estado de São Paulo afirma em nota que já concede reduções de impostos ao setor calçadista e trabalha para o desenvolvimento do setor, mas não tem competência para conceder unilateralmente benefícios fiscais. A situação em Franca expõe a complexa interação entre a economia local, a política tributária e a competitividade do setor calçadista, com impactos diretos na vida dos trabalhadores e no futuro da cidade.



