Mestra em linguística e língua portuguesa, Lígia Boareto, explica qual é a forma certa de acordo com as normas gramaticais
O programa Papo Certo discutiu a colocação pronominal na música de Chico Buarque e Wilson das Neves. A discussão focou nas diferenças entre a colocação pronominal na linguagem formal e informal, e como isso se reflete na música e na linguagem cotidiana.
Colocação pronominal: regras e exceções
A colocação pronominal possui três formas: próclise (pronome antes do verbo), ênclise (pronome depois do verbo) e mesóclise (pronome no meio do verbo). Embora existam regras gramaticais, a linguagem coloquial frequentemente as flexibiliza. A eufonia, ou melodia da língua, influencia a escolha da colocação, sendo mais comum a próclise em português brasileiro, enquanto em Portugal a ênclise é mais frequente, seguindo padrões mais formais.
Língua falada x língua escrita: as variações
A colocação pronominal difere entre a língua falada e a escrita. Expressões como “me dá um beijo” são comuns na fala, mas na escrita formal, a forma correta seria “dá-me um beijo”. Em contextos informais como e-mails ou conversas, a próclise é aceitável, enquanto em situações formais como provas, concursos ou comunicados oficiais, a ênclise é preferível. A gramática normativa considera o início de frase com pronomes oblíquos átonos como erro, mas essa regra é frequentemente ignorada na linguagem coloquial, sendo cada vez mais aceita em contextos informais.
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Considerações para vestibulandos e concurseiros
Para provas de vestibular e concurso, a recomendação é priorizar a próclise, exceto quando esta não for possível. A ênclise deve ser utilizada quando a próclise não é permitida. A mesóclise, utilizada apenas em verbos no futuro do presente ou futuro do pretérito, é menos frequente. Essas provas tendem a valorizar a interpretação e o uso da língua como um produto social, sendo menos rigorosas em relação à colocação pronominal, exceto em casos de ambiguidade ou erros graves de concordância.