Dispositivos são fundamentais para promover acessibilidade para pessoas com deficiência; quem explica é Dalton Marques!
Os Jogos Paralímpicos de 2024, Você sabe o que é a ‘tecnologia assistiva’?, realizados em Paris, reúnem mais de 4.400 atletas de 168 países, consolidando-se como uma das maiores competições esportivas para pessoas com deficiência no mundo. A evolução desse evento reflete uma trajetória histórica que começou no século 19, quando o esporte passou a ser utilizado como forma de terapia e reabilitação em hospitais e centros especializados.
Dalton Marks, gerente de desenvolvimento econômico do Supera Park, Você sabe o que é a ‘tecnologia assistiva’?, explica que a transformação significativa ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, quando muitos soldados retornaram com deficiências causadas por ferimentos e traumas. O neurologista Ludwig Guttmann, de origem judaica alemã, foi fundamental nesse processo ao assumir a direção do Centro Nacional de Lesões Espinhais, que se tornou uma clínica especializada na reabilitação de vítimas de guerra.
Antes de suas intervenções, a expectativa de vida de pessoas paraplégicas era de cerca de dois anos. Guttmann rejeitou essa perspectiva e implementou terapias que promoviam a recuperação e a reintegração social dos pacientes, destacando o papel do esporte como ferramenta de reabilitação. Ele organizou competições para cadeirantes, incluindo modalidades como boliche, basquete e arco e flecha, chegando a promover disputas entre pessoas com e sem deficiência, nas quais os cadeirantes frequentemente se destacavam.
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Em 1948, durante os Jogos Olímpicos, foram realizados simultaneamente os Jogos de Stoke Mandeville, voltados para pessoas com deficiência, considerados o embrião dos Jogos Paralímpicos. A primeira edição oficial dos Jogos Paralímpicos ocorreu em 1960, em Roma, com a participação de 400 atletas de 23 países. Desde então, o evento cresceu significativamente, culminando na edição atual em Paris.
Participação brasileira e desempenho esportivo
O Brasil iniciou sua participação nos Jogos Paralímpicos em 1972 e tem se destacado como exemplo de inclusão pelo esporte. Apesar dos desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência no cotidiano, o país mantém uma posição de destaque nas competições, figurando entre os dez primeiros colocados no ranking de medalhas desde os Jogos de Pequim, em 2008.
Tecnologias assistivas: conceito e aplicações: Dalton Marks esclarece que as tecnologias assistivas são definidas pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência como produtos e dispositivos que melhoram a funcionalidade e a participação social dessas pessoas, promovendo autonomia e qualidade de vida. Nos Jogos Paralímpicos, essas tecnologias não apenas facilitam a prática esportiva, mas também contribuem para o desempenho dos atletas.
Exemplos presentes na edição de Paris incluem bicicletas adaptadas com aerodinâmica aprimorada, punhos especiais para esgrima que facilitam a pegada e meias específicas para próteses que aumentam a eficiência dos corredores. Além do contexto esportivo, as tecnologias assistivas abrangem aparelhos auditivos, aplicativos que realizam leitura de textos para pessoas com deficiência visual, cadeiras de rodas, próteses, órteses e softwares de comunicação para autistas, entre outros dispositivos que promovem independência e inclusão social.
Iniciativas governamentais e acadêmicas para o desenvolvimento tecnológico: O governo federal brasileiro lançou em 2023 o programa “Viver sem Limite”, que integra o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o programa contempla 100 ações e prevê um investimento de 6,5 bilhões de reais, incluindo o fomento ao desenvolvimento de tecnologias assistivas.
Em julho de 2024, foi criado o Sistema Nacional de Laboratórios de Tecnologia Assistiva, que articula diversas iniciativas na área. No estado de São Paulo, três centros de ciência para o desenvolvimento de tecnologias assistivas e acessibilidade foram anunciados, em parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e as universidades públicas USP, Unicamp e UNESP.
Eventos e competições que estimulam a inovação
Em Ribeirão Preto, durante o Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica, a tecnologia assistiva foi um dos temas centrais. O evento sediou a final nacional do Biotchallenge Brasil, uma competição organizada pelo Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) e pela Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica. Voltada para estudantes, a competição teve início em junho e incluiu capacitações e etapas regionais em todo o país.
O objetivo do Biotchallenge Brasil é desenvolver soluções tecnológicas para superar desafios relacionados às deficiências visual, auditiva e motora. As equipes finalistas apresentaram protótipos funcionais que foram avaliados por uma banca especializada, recebendo também orientação para a elaboração de apresentações comerciais. Os melhores projetos foram premiados com recursos financeiros e apoio para desenvolvimento.
Entenda melhor
Os Jogos Paralímpicos e as tecnologias assistivas representam avanços importantes na inclusão social de pessoas com deficiência. Enquanto o esporte promove visibilidade e empoderamento, as inovações tecnológicas ampliam a autonomia e a qualidade de vida, tanto para atletas quanto para a população em geral. Programas governamentais e iniciativas acadêmicas desempenham papel fundamental no fomento dessas tecnologias, estimulando a pesquisa, o desenvolvimento e a aplicação prática.