Expressão mostra a concordância ideológica e não gramatical; Lígia Boareto, mestra em linguística explica sobre o termo
A silèpsis é uma figura de linguagem que envolve concordância ideológica, e não gramatical. Em outras palavras, a concordância se dá com a ideia implícita, e não com a forma gramatical expressa na frase. Sua origem é grega, significando “ação de compreender”.
Silèpsis de Pessoa: O Caso do ‘Agente’
Um exemplo comum de silèpsis é a de pessoa, que ocorre quando há uma discordancia entre o sujeito expresso e a pessoa verbal. O famoso “a gente somos”, “a gente fomos”, “a gente fazemos” são exemplos dessa construção. Embora possa ser considerada uma figura de linguagem, seu uso requer atenção, sendo mais adequada em contextos literários ou eruditos do que na comunicação informal. A música “Traje a Rigor” exemplifica esse uso, com frases como “a gente não sabemos”. A palavra “gente”, apesar de singular, carrega a ideia de plural, justificando a concordância irregular.
Outros Tipos de Silèpsis e Aplicações
Além da silèpsis de pessoa, existem as de número e gênero. A de gênero, por exemplo, pode ser ilustrada pela frase “São Paulo é maravilhosa”, onde a concordância se dá com a ideia de município, e não com a forma gramatical feminina de “cidade”. Por serem conceitos complexos, é recomendado estudar cada tipo separadamente para melhor compreensão. A silèpsis é um tema recorrente em provas de vestibular e concursos, sendo a silèpsis de pessoa, exemplificada na música “Traje a Rigor”, um exemplo comum.
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A compreensão da silèpsis enriquece o entendimento da língua portuguesa, mostrando como a linguagem pode se adaptar e inovar, mesmo em situações consideradas gramaticalmente incorretas. A música popular, como demonstrado, pode ser uma ferramenta eficaz para ilustrar e memorizar esses conceitos gramaticais, tornando o aprendizado mais acessível e divertido.