Pediatra Ivan Savioli Ferraz reforça a importância de uma gravidez assistida e detalha o que pode causar um parto antes da hora
O que é prematuridade e por que importa
O nascimento antes das 37 semanas de gestação é considerado prematuro. A definição foi reforçada pelo pediatra e professor da USP, Dr. Ivansa Viola, em participação recente na Rádio CBN, durante a campanha Março Lilás promovida pela Sociedade de Pediatria de São Paulo. Segundo o especialista, o Brasil ocupa a 10ª posição no mundo em número de partos prematuros, o que torna o tema relevante para famílias e profissionais de saúde.
Causas e fatores de risco
As causas da prematuridade envolvem tanto condições maternas quanto fetais. Entre os fatores ligados à mãe estão a ruptura prematura da bolsa, pré-eclâmpsia, insuficiência istmo-cervical, infecções, hipertensão crônica, descolamento de placenta, malformações uterinas, gestações múltiplas, diabetes, tabagismo, consumo de álcool e uso de drogas. Do lado fetal, malformações e alterações de origem genética também podem antecipar o parto.
Impactos imediatos e a longo prazo
O grau de prematuridade é determinante para as complicações. Bebês nascidos muito antes do termo têm maior risco de problemas respiratórios pela imaturidade pulmonar, podendo necessitar de ventilação mecânica. Alterações na transição circulatória, como a persistência do canal arterial, podem prejudicar respiração e alimentação. Entre outras complicações de curto prazo estão a enterocolite necrosante (que afeta o intestino), retinopatia da prematuridade — que em casos extremos pode levar à cegueira — e hemorragias cerebrais de variada gravidade.
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No médio e longo prazo, ex-prematuros apresentam maior probabilidade de desenvolver hipertensão, doenças cardiovasculares precoces, diabetes, alterações do perfil lipídico, doenças renais e problemas neurológicos, como perda auditiva e dificuldades de aprendizagem. Dr. Viola ressalta, porém, que nem todas as crianças prematuras terão sequelas e que a gravidade das consequências está relacionada ao quão cedo ocorreu o nascimento.
Prevenção e manejo
A principal estratégia de prevenção é a assistência pré-natal de qualidade, que permite identificar e tratar precocemente condições que podem levar ao parto prematuro, como a hipertensão gestacional. Caso o bebê nasça prematuro, o acompanhamento pediátrico atento é essencial para diagnosticar e abordar precocemente possíveis complicações, além de promover o estímulo adequado ao desenvolvimento dessas crianças.
O diálogo entre gestantes, familiares e equipes de saúde, aliado a campanhas de conscientização e a cuidados obstétricos e neonatais adequados, são pilares para reduzir riscos e melhorar prognósticos.
Dr. Ivansa Viola conclui lembrando que a prevenção e a atenção contínua fazem diferença tanto na redução de nascimentos prematuros quanto na qualidade de vida dos que nascem antes do termo.