Ouça a coluna ‘CBN Saúde’, com Fernando Nobre
No último sábado, o Ministério da Saúde lançou uma campanha nacional de vacinação contra a gripe, focando em grupos de risco. Mas por que essa ênfase? A resposta está ligada a um aumento preocupante na mortalidade por infarto durante o inverno, coincidindo com a maior incidência de viroses respiratórias.
Inverno, Gripe e Infarto: Uma Relação Preocupante
Estudos em diversos países, incluindo Canadá, Nova Zelândia, Estados Unidos e Brasil, apontam para um aumento de até 50% nas internações e mortes por infarto no inverno, em comparação com o verão. Esse aumento é atribuído a diversos fatores: infecções respiratórias, poluição do ar, maior exposição à radiação solar, aumento da viscosidade do sangue e da pressão arterial, e a vasoconstrição causada pelo frio.
A Vacinação como Fator de Proteção
Pesquisas mostram uma forte correlação entre gripe e infarto. Um estudo australiano de 2013 revelou que 12% dos pacientes internados com infarto haviam tido gripe previamente, quase o dobro daqueles que não tiveram a infecção (7%). Ainda mais significativo: indivíduos vacinados contra a gripe apresentaram 45% menos infartos que os não vacinados. Resultados semelhantes foram encontrados em estudos canadenses (redução do risco à metade) e a recomendação de vacinação para grupos de risco é comum em países como Inglaterra.
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Prevenção: Um Combate Multifacetado
Embora a vacinação seja crucial, ela não é a única medida preventiva. A adoção de hábitos saudáveis, como abolição do tabagismo, manutenção do peso ideal, prática regular de exercícios físicos e controle da pressão arterial, colesterol e glicemia, são essenciais para reduzir o risco de infarto, não apenas no inverno, mas durante todo o ano. Prevenir é sempre a melhor opção.