Conheça uma das feiras mais tradicionais da cidade que acontece de quarta a sábado na Praça das Bandeiras; ouça a coluna!
Amanhã é celebrado o Dia do Artesão, data que também remete a São José, padroeiro dos carpinteiros. A associação entre o santo e os trabalhadores das mãos ajuda a explicar a atenção às feiras e às trajetórias dos artesãos em Ribeirão Preto — um movimento que mistura tradição, economia informal e políticas públicas.
Origem e reconhecimento
A feira de artesanato instalada na Praça das Bandeiras, em frente à Catedral, é antiga e já foi objeto de estudos acadêmicos locais. Ao longo das décadas, a atividade evoluiu de uma ocupação livre e espontânea para uma prática mais regulada. A prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, passou a integrar os artesãos em uma rede estadual, enquanto órgãos como a SUTACO foram chamados a definir critérios e credenciar produtores.
Debates sobre o que é artesanato e a gestão do espaço público
Um dos principais embates envolveu a definição do que pode ser considerado artesanato: até que ponto transformar ou decorar um produto industrial o torna artesanal? A resposta influenciou quem tem direito ao espaço nas feiras. Outra questão recorrente foi a tentativa de transmissão hereditária das vagas — prática desconsiderada na gestão do espaço público, que priorizou listas de espera e critérios de qualificação.
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Problemas de ordem estética e urbanística também surgiram: barracas improvisadas, falta de padronização e conflitos com o comércio formal do centro, que acusava concorrência desleal em razão da venda de produtos similares. Medidas de padronização e regras de ocupação foram implementadas, nem sempre com consenso entre organizadores, artesãos e comerciantes.
Retomada, desafios e políticas de ocupação
Enquanto a feira da Praça das Bandeiras perdeu destaque em certos períodos, a feira da Praça 7 de Setembro, na Rua Lafayette, tem apresentado recuperação e nova visibilidade. A retomada trouxe reavaliações sobre o uso do espaço público — incluindo questões logísticas como sanitários, limpeza e infraestrutura — e renovou o debate sobre políticas que incentivem presença constante de artistas e artesãos nas praças.
Iniciativas de qualificação também marcaram momentos importantes: há relatos de treinamentos e parcerias que buscaram trabalhar com matérias-primas locais, como resíduos ou insumos ligados ao café e à cana, e com consultorias de design para ampliar a competitividade dos produtos. Uma pesquisa recente do Sebrae aponta intensa atividade artesanal nas 34 cidades da região metropolitana, reforçando a relevância econômica e cultural desse segmento.
Nesse Dia do Artesão, a cidade estima reconhecimento àqueles que ocupam e animam as praças públicas com suas produções. As feiras de Ribeirão Preto, apesar dos altos e baixos, permanecem um espaço de convivência, trocas e preservação de saberes manuais.