Local será utilizado para a construção do Instituto Federal da cidade e conta com muitas histórias interessantes
O emblemático prédio da antiga fábrica têxtil — conhecido por abrigar inicialmente instalações da família Matarazzo e, posteriormente, da Cianê — foi transferido para a União na semana passada para viabilizar a instalação de um campus do Instituto Federal em Ribeirão Preto. A notícia, confirmada pela administração municipal, foi recebida com entusiasmo pela população, que aguardava há anos a chegada da instituição.
História e relevância social
Erguida fora do auge da era cafeeira, a unidade refletiu a transição de Ribeirão Preto rumo ao desenvolvimento industrial. Ao longo do tempo, a fábrica impulsionou a economia local: empregou imigrantes — muitos italianos — e gerou um conjunto habitacional para os trabalhadores, aproximando gerações e criando laços comunitários; há relatos de casamentos entre funcionários celebrados naquele ambiente de trabalho. O complexo original ocupava cerca de 39 mil metros quadrados e chegou a ter quatro grandes barracões.
Abandono, comercialização e tentativas de requalificação
Com o enfraquecimento da produção industrial e as dificuldades financeiras da família proprietária, parte do terreno e dos barracões acabou sendo usada para saldar dívidas e ficou retido em instituição bancária. Depois, o lote foi fragmentado e comercializado: dois barracões de cerca de 10 mil metros quadrados cada um e outras unidades menores permaneceram, deixando parte do espaço ocioso. O local também sofreu com incêndios e longo abandono, o que preocupou moradores e motivou ações na promotoria para que o imóvel recebesse destinação pública.
Leia também
Ao longo dos anos surgiram diversas propostas para o uso do imóvel: mudança da rodoviária para o local, instalação de uma pinacoteca descentralizada, criação de um instituto idealizado por um empresário da região, além de projetos para um centro cultural que passaram por tramitação na Câmara Municipal entre 2009 e 2012. Houve parcerias exploradas com o BNDES e projetos educacionais — inclusive uma Etec — que não se concretizaram por motivos políticos e logísticos, culminando no deslocamento de algumas iniciativas para outros bairros, como a Vila Verzínia.
O futuro do espaço e as expectativas da comunidade
A perspectiva de transformar o complexo em um campus do Instituto Federal foi comemorada por atender a uma demanda local reprimida e pela possibilidade de requalificação urbana da região que divide bairros como Ipiranga e Campos Elísios. Moradores e associações pedem que o projeto preserve a memória do lugar: há o desejo de que um espaço seja reservado para um memorial sobre a fábrica, sua história e sua relação com a cidade.
Com o terreno agora sob administração federal e a promessa de uso educativo, a expectativa é que a ocupação volte a dar vida ao entorno, respeitando as manifestações da comunidade que acompanham a trajetória do prédio há décadas.