Segundo José Carlos de Lima Junior, o setor passou a ‘andar com as próprias pernas’ há cerca de 50 anos
O agronegócio brasileiro, apesar da imagem de gigante exportador, possui uma história recente de independência alimentar. Até a década de 1970, o Brasil era um grande importador de alimentos, dependendo de outros países para suprir suas necessidades. A conquista da autossuficiência alimentar é um feito relativamente recente, alcançado nas últimas cinco décadas.
Desenvolvimento Tecnológico e a Expansão da Produtividade
A transformação do agronegócio brasileiro se deve a dois fatores principais. O primeiro é o desenvolvimento tecnológico impulsionado pela Embrapa, fundada em 1973. A pesquisa e inovação da Embrapa permitiram a adaptação de culturas a diferentes solos, especialmente no Cerrado, abrindo novas fronteiras agrícolas e aumentando significativamente a produção. O segundo fator é a adoção de novas tecnologias e melhores práticas de manejo pelos produtores, resultando em um aumento substancial da produtividade por hectare. Onde antes se colhiam 20 sacas, hoje é possível colher 70 ou 80, multiplicando a produção em uma mesma área.
A Dependência de Insumos Importados: Um Calcanhar de Aquiles
Apesar dos avanços na produção de alimentos, o Brasil ainda enfrenta desafios. Uma das principais fragilidades é a dependência de insumos importados, especialmente fertilizantes. A alta dependência de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos (NPK) deixa o país vulnerável a flutuações cambiais e impacta diretamente no custo de produção. A situação vivida no início de 2022, com a alta dos preços dos fertilizantes, ilustra bem essa dependência.
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A eficiência na produção tem sido fundamental para mitigar o impacto do alto custo dos insumos importados, reduzindo o preço final para o consumidor. No entanto, a busca por maior independência na produção de insumos é crucial para garantir a sustentabilidade e a competitividade do agronegócio brasileiro a longo prazo. A jornada rumo à completa independência no setor ainda está em andamento, exigindo contínuos investimentos em pesquisa, tecnologia e infraestrutura.