Confira as dicas da mestra em linguística, Lígia Boareto, na coluna ‘CBN Papo Certo’, desta quinta-feria (30)
O programa CBN Papo abordou o tema do preconceito, coincidindo com a semana do Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. A discussão se estendeu à análise linguística da palavra “preconceito”, especificamente o uso do prefixo “pré”.
O prefixo “pré”: uso do hífen e acentuação
A discussão centralizou-se na grafia correta do prefixo “pré” e sua utilização em diferentes palavras. A dúvida principal era se o hífen era necessário e se a palavra deveria ser acentuada. A especialista em língua portuguesa, Lígia Boaretto, explicou que a regra não é tão simples quanto parece, pois depende da pronúncia e da tonicidade da palavra.
Regras de acentuação e hifenização
Lígia explicou que quando o “pré” é tônico (forte), recebe acento e hífen (ex: pré-natal, pré-candidato). Quando átono (fraco), é escrito junto e sem acento (ex: preconceito, predisposição). A posição da segunda palavra (vogal, consoante, h, r ou s) também influencia, mas não é a regra definitiva. A língua portuguesa, segundo a especialista, não segue sempre uma lógica estritamente gramatical.
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Exceções e variações regionais
Existem exceções à regra, e até mesmo variações regionais na pronúncia podem influenciar a grafia. No Nordeste, por exemplo, é comum ouvir a pronúncia “pré-conceito”, mesmo que a norma culta determine a grafia sem hífen e acento. A norma gramatical, apesar de baseada no uso da língua, estabelece uma forma oficial, que no caso de “preconceito”, é escrita sem hífen e sem acento.
Em resumo, a análise da palavra “preconceito” e do prefixo “pré” demonstra a complexidade da língua portuguesa, com suas regras, exceções e variações regionais. A discussão reforça a importância de se atentar à pronúncia e à tonicidade das palavras para sua correta grafia.