Quem traz mais detalhes sobre esta condição é o pesquisador da USP e endocrinologista Carlos Eduardo Couri
A esteatose hepática, popularmente conhecida como gordura no fígado, afeta cerca de 30% dos brasileiros, representando um preocupante sinal de alerta para a saúde. Em entrevista à CBN, o endocrinologista e pesquisador da USP de Ribeirão Preto, Carlos Eduardo Curi, esclareceu dúvidas sobre essa condição.
O que é esteatose hepática e como diagnosticá-la?
O acúmulo de gordura no fígado é considerado normal até 5%. Acima disso, há um acúmulo excessivo que pode trazer consequências graves. O diagnóstico, muitas vezes tardio, é feito por meio de ultrassom ou exames de sangue (TGO e TGP), que, no entanto, não indicam o estágio da doença. Para um diagnóstico mais preciso e a avaliação do nível de fibrose, o Dr. Curi recomenda o aplicativo Fib4 (cálculo de risco de fibrose avançada) ou a elastografia (por ultrassom ou ressonância magnética), exame disponível no SUS e em convênios.
Tratamento e prevenção da esteatose hepática
A mudança de hábitos de vida é fundamental no tratamento da esteatose hepática. Atividades físicas regulares e uma alimentação saudável são essenciais. Embora existam medicamentos que auxiliam na prevenção e tratamento, eles devem ser usados sob orientação médica. O consumo de chás e fitoterápicos sem acompanhamento profissional pode ser prejudicial ao fígado. Estudos apontam que o consumo moderado de café (4 a 5 xícaras ao dia) pode ter efeito protetor contra a progressão da doença. A obesidade abdominal, pressão alta, diabetes, colesterol e triglicerídes alterados, e gota estão associados à esteatose hepática e aumentam o risco de problemas cardíacos, sendo a causa mais comum de morte em pacientes com a condição. Em homens, a esteatose hepática pode estar associada à baixa produção de testosterona, levando a problemas como diminuição da libido, infertilidade e depressão. O tratamento para a baixa testosterona geralmente envolve mudanças no estilo de vida, e não necessariamente a reposição hormonal.
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A esteatose hepática, embora silenciosa na maioria das vezes, requer atenção médica. Exames periódicos são cruciais para a detecção precoce e o tratamento adequado. A doença pode afetar crianças e adolescentes, reforçando a importância da adoção de hábitos saudáveis desde cedo. Mulheres com diabetes e esteatose hepática apresentam maior risco cardiovascular e merecem atenção especial.



