Mesmo em maioria, elas ainda enfrentam um ambiente repleto de preconceitos; ouça a coluna ‘Good Game CBN’
Pesquisa recente sobre jogos digitais no Brasil aponta mudanças demográficas e revela desafios estruturais na indústria local. Embora o público jogador esteja se expandindo, a presença feminina segue desproporcional nos cargos de liderança dentro do setor.
Perfil do público e crescimento do mercado
Segundo a pesquisa Games Brasil, 73,9% da população brasileira joga algum tipo de jogo digital — um aumento de 3,8 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Do total de jogadores, 85% afirmam que os jogos eletrônicos são uma das principais formas de entretenimento, o que sinaliza expansão contínua do mercado e atrai investimentos de empresas nacionais e estrangeiras.
Outro dado de destaque é a participação feminina entre os consumidores: 50,9% dos jogadores são mulheres, índice que cresceu 0,5 ponto percentual em relação a 2023. Apesar da maioria numérica, especialistas e organizações do setor apontam que a presença feminina ainda enfrenta barreiras em termos de representação e tratamento, tanto dentro dos jogos quanto no ambiente profissional da indústria.
Desigualdade na indústria e nos cargos de liderança
Pesquisa sobre a indústria brasileira de games, realizada pela empresa Omoludens, mostra que apenas 22% das vagas no setor são ocupadas por mulheres. O quadro se torna ainda mais dispar quando se analisam as posições de comando: apenas 0,98% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres — menos de 1%.
O desequilíbrio brasileiro acompanha tendências internacionais. Uma resolução do Parlamento Europeu, de novembro de 2022, apontou que cerca de 20% da força de trabalho na indústria de jogos na Europa é composta por mulheres, e classificou o número como alarmante, recomendando a promoção da participação feminina como prioridade estratégica. Autoridades e especialistas defendem que ampliar a presença das mulheres no setor é também uma medida para enfrentar violência, assédio e discriminação associados ao universo dos games.
Enquanto isso, tramitam propostas de marco regulatório no Congresso que podem influenciar o ambiente de negócios local; empresas, desenvolvedores e especialistas acompanham as discussões, apontando a necessidade de políticas que estimulem diversidade e segurança no mercado.
Homenagens ao criador de Dragon Ball e legado cultural
O dia 1º de março marcou, segundo relatos difundidos na mídia, o falecimento do mangaká Akira Toriyama, criador de Dragon Ball. A influência de Toriyama extrapola os quadrinhos: ele foi responsável pelo design de personagens em jogos clássicos, como Chrono Trigger e Dragon Quest, e seu trabalho é frequentemente citado como referência por criadores contemporâneos.
Várias personalidades do mundo dos animes e mangás — entre elas Eiichiro Oda (autor de One Piece) e Masashi Kishimoto (autor de Naruto) — publicaram cartas e mensagens em homenagem ao artista. No Brasil, a amplitude do impacto cultural do autor foi ressaltada por manifestações públicas, inclusive de autoridades e de torcedores que remeteram momentos simbólicos do entretenimento popular, como gestos inspirados em Dragon Ball vistos em celebrações esportivas.
O setor de games e a cultura pop seguem refletindo uma mistura de avanços e desafios: o crescimento da base de jogadores mostra um mercado vibrante, mas a composição da força de trabalho revela desigualdades que exigem atenção de empresas, legisladores e da própria comunidade.



