Quem traz os detalhes sobre o quimerismo, que é uma condição genética rara, é o geneticista Gustavo Guida
Você sabia que é possível ter dois DNAs no mesmo corpo? Essa condição genética rara, chamada quimerismo, faz com que o paciente possua dois tipos de DNA diferentes. Mas como isso acontece?
Formação do Quimerismo
O quimerismo pode ocorrer de diferentes maneiras. A forma mais comum é o microquimerismo, que envolve a troca de células entre a mãe e o bebê durante a gestação. Essa quantidade de DNA é geralmente pequena e não causa impacto na saúde. Entretanto, existem casos mais complexos. Um deles é o quimerismo tetragamético, que acontece quando dois óvulos são fertilizados por dois espermatozoides, resultando em um único indivíduo com material genético de duas fontes distintas. Outro tipo ocorre quando um embrião normal absorve um embrião não viável, também gerando uma combinação de dois DNAs.
Implicações do Quimerismo
Em muitos casos, o quimerismo não apresenta sintomas e não afeta a saúde do indivíduo. No entanto, em situações de quimerismo tetragamético, pode haver um risco aumentado de desenvolvimento de tumores benignos, como teratomas (tumores embrionários). Esses tumores podem crescer e causar problemas, mas geralmente não são cancerígenos. A principal implicação clínica do quimerismo está relacionada a questões judiciais, como em casos de paternidade duvidosa ou disputas de guarda, onde a identificação do DNA pode ser complexa.
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Casos e Considerações Finais
Casos de quimerismo já foram relatados em tribunais, como o de uma mãe que teve sua maternidade questionada devido à discrepância entre seu DNA e o de seus filhos. Embora o quimerismo possa ocorrer durante a gestação, a pessoa pode nascer com essa condição. Se a fusão embrionária ocorrer, o corpo não rejeita o material genético extra, e o indivíduo carrega os dois DNAs por toda a vida. É importante ressaltar que, na maioria dos casos, o quimerismo é uma condição benigna e assintomática.



